Universidade ou Fábrica de papéis?

17, Junho 2008 por rafael

De Pe. Joãozinho: ( Doutor em Educação)

Sou uma daquelas pessoas que acredita que “tudo pode ser mudado pela força da oração” e “quase tudo” pela Educação. Nosso Brasil apresenta sinais claros de uma arrancada definitiva na direção do tão sonhado desenvolvimento. A nação do futuro finalmente seria uma nação do presente. Mas para que isso aconteça de verdade é preciso um salto qualitativo que só uma revolução educacional poderá permitir.

Falo de coisas que vivo em meu dia-a-dia, como diretor de faculdade e avaliador de universidades credenciado pelo MEC. Os últimos dois governos investiram na melhoria da qualidade e, principalmente, em um mecanismo de avaliação do sistema educacional. No caso da Educação Superior, temos o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior). A lei é boa. As intenções não as melhores. Os formulários são minuciosos e atentos as condições de infra-estrutura e qualificação docente na oferta de cursos superiores. Prova disso é a advertência feita recentemente aos maus cursos de Medicina e de de Direito. Milhares de avaliadores foram formados em 2007 para fazer este mecanismo funcionar através de visitas in loco. Porém…

O que ocorre é que houve uma explosão de oferta no setor educacional e surgiu um fato novo: a Educação a Distância. Muitas universidades particulares abriram seu capital e tornaram-se empresas de ensino. Com isso a tentação de mercantilizar o setor tornou-se praticamente irresistível.

Vou dar dois exemplos. Estou sentado na fila de um lugar qualquer e sem querer escuto o seguinte diálogo:

- “Agora sim estou em uma boa faculdade. Nem preciso ir nas aulas. Outros assinam a presença por mim… e tudo bem. O interessante é que não estudei e fui bem nas provas. No ano que vem será a minha formatura. Vamos fazer uma grande festa. O que importa mesmo é o vídeo, as fotos e o diploma, não é!?”

Fiquei com um misto de tristeza e revolta. Naquele momento queria que alguém acabasse com o tal diploma e exigisse das corporações uma certificação pós-faculdade, como faz a OAB com os bacharéis em direito para se tornarem advogados.

Segundo exemplo. Vou comprar algo e sou atendido pelo filho do dono. No vidro do “caixa” estava seu certificado de técnico. Detalhe: não estava asssinado por ele. Perguntei se era o seu certificado. Ele feliz respondeu-me que sim. Tentei dizer que seria melhor que ele tivesse assinado na frente da secretária da escola, como anda a lei. Ele me disse que não era possível pois havia recebido o diploma pelo correio após mandar a “prova” e o “pagamento”. Pesquisei e vi que era mais uma gambiarra no nosso querido país que quer migrar do posto de primeira nação do Terceiro Mundo para último país do Primeiro Mundo. Falta muito!

Acredito na Educação a Distância (EaD). Estudo isso a anos e eu mesmo sou professor neste estilo. Dá certo. Mas hoje e praticamente impossível para o governo fiscalizar o que se faz por meio deste sistema. O resultado será que em poucos anos teremos uma ótima estatística e uma péssima qualidade. Muitas universidades particularesse tornaram simples fábricas de papéis que alguns chamam de “Diploma”. Sinceramente, penso que esta invenção das universidades medievais já deu o que tinha que dar. O certificado já não certifica muito. Certo é o que você sabe e não aquilo que o diploma diz que você aprendeu. O que vai acontecer é que o mercado vai re-certificar. Ou seja, vai ignorar o diploma e mandar o candidato rasgar o currículo e mostrar na frente do computador que não é analfabeto. Já acontece o mesmo com muitos alunos que depois de anos estudando inglês, procuram u cursinho rápido para poder fazer uma viagem internacional. E o interessante é que aprendem? Acorda Brasil. É hora de dar um salto de qualidade na educação.

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