COMÉRCIO RELIGIOSO

31, Agosto 2007 por rafael

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Hoje a reflexão fica por conta do pe. Zezinho. Qual é a  sua opinião sobre o assunto?

Um professor universitário, conhecido meu há anos, criticava, dias atrás, as vendas de medalhas e objetos religiosos, roupas e livros em todas as igrejas. Chamava-o de comércio maldito. Como também critica o dízimo ou quem pede contribuição espontânea, a conclusão mais óbvia é a de que ele simplesmente não admite que as igrejas existam. Igrejas precisam de templos, obras sociais, meios de comunicação, manutenção de suas propriedades, dinheiro para pagar suas dívidas e os salários de seus funcionários. Hospitais, creches, asilos, orfanatos, livrarias, templos, serviço nas missões, promoção humana, tudo isso demanda algum dinheiro. Milhões de pessoas dependem desse dinheiro. Dos funcionários aos pobres, que nem comeriam sem a ajuda desses grupos religiosos.
     Criticar as igrejas porque pedem o dízimo ou alguma contribuição, porque têm taxas, porque permitem comércio é criticar um direito legítimo de qualquer instituição de, pelo seu trabalho social, pela venda de produtos nascidos do trabalho, produzir fé, cultura e bem estar. Há milhões de pobres sendo acolhidos e promovidos pelas igrejas. Isto, aliás, é dever de todos, desde o governo ao cidadão ateu, passando, por questão de coerência pela religião. Religiões sem pão repartido perdem o seu sentido.
     O que se pode criticar são os exageros de grupos ou de pessoas que pedem ou possuem bens demais e não provam onde os utilizam. Como pode haver desvios nos governos, pode haver também nas Igrejas. Mas daí a negar que o governo tenha o direito aos impostos e que as igrejas tenham o direito a possuir bens e pedir a contribuição dos fiéis é exagero.
     Se uma Igreja pede o dízimo ou doações é criticada. Se imprimir e vender bíblias, discos, quadros, livros de teologia ou folhetos é criticada. Está produzindo cultura para o coração, tanto quanto outros produzem cultura para o intelecto. Se José Saramago e Paulo Coelho podem vender seus livros e dar lucro às suas editoras, os autores religiosos e suas editoras também podem vender os seus. Critiquem-se os excessos, mas critique-se também o excesso de crítica. Se um artesão que produz figuras eróticas tem o direito de ser pago, o que produz uma imagem de santos ou de anjos também tem. Tolera-se a loja de revistas eróticas e critica-se a loja de artigos religiosos? Qual o critério?
     Olho: “Há milhões de pobres sendo acolhidos e promovidos pelas igrejas. Isto, aliás, é dever de todos, do governo ao cidadão ateu. Religiões sem pão repartido perdem o seu sentido”.

Fonte: Revista Família Cristã / Pe. Zezinho, SCJ

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1 Comentário

  1. Luís Otávio de Castro:

    Concordo plenamente com a reflexão de Pe. Zezinho. Mas infelizmente muitas pessoas pensam que quando se fala de Deus, religião, igreja, as coisas devem “cair do céu”. Pelo contrário, “do céu” caem as bençãos, mas as coisas devem ser conquistadas, construídas e realizadas com nosso esforço e trabalho. Coração em Deus e pés no chão. Devemos buscar a santidade em nossas vidas mas sem sairmos da realidade, ou melhor devemos estar cada vez mais inseridos na realidade que nos cerca.
    Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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