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Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito
Que se quebra quando cai
Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois essa pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar
Refrão
A lua cheia convida para um longo beijo
Mas o relógio te cobra o dia de amanhã
Estou sozinho, perdido e louco no meu leito
E a namorada analisada por sobre o divã
Refrão
Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva
Não quero nem saber de me fazer ou me matar
Eu vou deixar em dia a vida e a minha energia
Sou um castelo de areia na beira do mar.
ah ah
ah ah
Sou um castelo de areia na beira do mar.
Hermes Aquino
CIDADE DO VATICANO - Em um mundo caracterizado pela violência e o ódio, a resposta do cristão é “a força desarmada do amor”, assegura Bento XVI.
Nisso consiste em nossos dias a cruz, disse, ao dirigir-se aos milhares de peregrinos que participaram este domingo ao meio-dia da oração mariana do Ângelus.
O Papa comentou junto aos milhares de peregrinos congregados no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo a passagem evangélica da liturgia deste dia, em que o apóstolo Pedro se opõe ao anúncio de Jesus de sua paixão e morte.
«É evidente que o Mestre e o discípulo seguem duas maneiras opostas de pensar. Pedro, segundo a lógica humana, está convencido de que Deus não permitira nunca a seu Filho terminar sua missão morrendo na cruz», constatou.
Jesus, ao contrário, «sabe que o Pai, por causa do imenso amor pelos homens, o enviou para dar a vida por eles e que, se isto implica a paixão e a cruz, é justo que aconteça assim. Por outro lado, ele sabe também que a última palavra será a ressurreição».
«Se para nos salvar o Filho de Deus teve de sofrer e morrer crucificado, isso não é um desígnio cruel do Pai celestial. A causa é a gravidade da enfermidade da qual tinha que nos curar: um mal tão sério e mortal que exige todo seu sangue», afirmou.
De fato, indicou o pontífice, “com sua morte e ressurreição, Jesus derrotou o pecado e a morte, restabelecendo o senhorio de Deus”.
“Mas a luta não terminou: o mal existe e resiste em toda geração, também em nossos dias. Por acaso os horrores da guerra, da violência contra os inocentes, da miséria e da injustiça que se abatem contra os fracos, não são a oposição do mal ao Reino de Deus? E como responder a tanta maldade senão com a força desarmada do amor que vence o ódio, da vida que não tem medo da morte?”
“É a mesma força misteriosa que Jesus utilizou, ao custo de ser incompreendido e abandonado por muitos dos seus”, respondeu o bispo de Roma.
“Para levar a pleno cumprimento a obra de salvação, o Redentor segue associando a si e a sua missão homens e mulheres dispostos a tomar a cruz e a segui-lo”, assegurou.
Como aconteceu com Cristo, “também para os cristãos carregar a cruz não é opcional, mas uma missão que se tem de abraçar por amor”.
“Em nosso mundo atual, no qual parecem dominar as forças que dividem e destroem, Cristo não deixa de propor a todos seu convite claro: quem quiser ser meu discípulo, negue seu egoísmo e leve comigo a cruz.”
O Papa concluiu convidado os cristãos a seguir “com decisão o Senhor para experimentar já desde agora, apesar da provação, a glória da ressurreição”.
Fonte: Zenit
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
Rogério Simões
Mt 16, 21-27
“Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me!”
Seria um erro grave não complementar a reflexão sobre o texto do Domingo passado com o trecho de hoje. Pois ele mostra que embora Pedro tivesse usado os termos certos para descrever quem era Jesus, ele os entendia de modo errado. Para Jesus, ser o Cristo significava assumir a missão do Servo de Javé, descrito pelo profeta Segundo-Isaías, nos Cantos do Servo de Javé (Is 42, 1-9; 49, 1-9ª; 50, 4-11; 52, 13-53, 12). Jesus deixa claro que ser o Cristo não significava triunfo nos termos desse mundo, mas o contrário: “O Filho do Homem deve sofrer muito ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar no terceiro dia”.
Essa visão que Jesus tinha da missão do Messias, não era comum - em geral o povo esperava um messias triunfante e glorioso. Mateus nos mostra que Pedro partilhava essa visão errada, a ponto de tentar corrigir Jesus, e de ganhar de Jesus uma correção dura:“Fique longe de mim, Satanás! Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens” (Mc 8, 33).
Não basta usar os termos certos - temos que ter o conteúdo certo. A Bíblia nos conta que Deus criou o homem e a mulher na sua imagem e semelhança, mas na verdade muitas vezes nós criamos Deus na nossa imagem e semelhança, para que Ele não nos incomode. A nossa tendência é de seguir um messias triunfante e não o Servo Sofredor. Mas, para Jesus não há meio-termo. O discípulo tem que andar nas pegadas do seu mestre: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga” (Lc 9 ,23).
O seguimento de Jesus leva à cruz, pois a vivência das atitudes e opções d’Ele vai nos colocar em conflito com os poderes contrários ao Evangelho. Carregar a cruz, não é agüentar qualquer sofrimento passivamente. Fosse assim, a religião seria masoquismo! Carregar a cruz é viver as conseqüências de uma vida coerente com o projeto do Pai, manifestado em Jesus. Segui-Lo não é tanto fazer o que Jesus fazia, mas o que Ele faria se estivesse aqui hoje. E como Ele foi morto, não pelo povo, mas por grupos de interesse bem definidos “os anciãos, os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei” (a elite dominante em termos econômicos, religiosos e ideológicos), os seus seguidores entrarão em conflito com os grupos que hoje representam os mesmos interesses. Por isso, sempre haverá a tentação de criarmos um Jesus “light”, sem grandes exigências, limitado a uma religião intimista e individualista, sem conseqüências políticas, econômicas ou ideológicas. A nossa resposta à pergunta “E você, quem diz que eu sou?” se dá, não tanto com os lábios, mas com as mãos e os pés. Respondemos quem é Jesus para nós, pela nossa maneira de viver, pelas nossas opções concretas, pela nossa maneira de ler os acontecimentos da vida e da história. Tenhamos cuidado com qualquer Jesus não exigente, que não traz conseqüências sociais, que não nos engaja na luta por uma sociedade mais justa. Pois, o Jesus real, o Jesus de Nazaré, o Jesus do Evangelho, não foi assim, e deixou claro: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas quem perde a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9, 24)
Fonte: Pe. Tomaz Hughes, SVD
Vigésimo Primeiro Domingo
Mt 16, 13-20
“E vocês, quem dizem que eu sou?”
Aqui temos a versão mateana da profissão de fé de Pedro, que Marcos (Mc 8, 27-35) coloca como pivô de todo o seu evangelho. Esse trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os evangelhos: Quem é Jesus? O que é ser discípulo d’Ele?
São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus determinará a maneira do meu seguimento d’Ele.
O diálogo começa com uma pergunta um tanto inócua: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” É inócua, pois não compromete - o “diz que” compromete ninguém, pois expressa a opinião de outros. Por isso chove respostas da parte dos discípulos: “João Batista, Elias, Jeremias, ou um dos profetas!”. Mas Jesus não quer parar aqui - esta pergunta foi só uma introdução. Depois vem a facada: “E vocês, quem dizem que eu sou?”
Agora não chove respostas, pois quem responde vai se comprometer - não será a opinião de outros, mas a pessoal! Esta opinião traz conseqüências práticas para a vida. Finalmente, Pedro se arrisca: “O Messias, o Filho de Deus vivo”.
Aqui Mateus acrescenta os vv. 17-19, pois quer destacar o papel de Pedro (e, por conseguinte dos líderes da sua própria comunidade), na função de ligar e desligar da comunidade, que nos Evangelhos somente aqui e em Cap. 18 é chamada de “Igreja”. “As chaves do Reino” não se refere ao poder de perdoar pecados, mas de integrar e desligar pessoas da comunidade dos discípulos.
O fundamento, o alicerce, dessa comunidade é o conteúdo da profissão de Pedro “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Mas, continuam no ar as duas perguntas que são o cerne do Evangelho: “Quem é Jesus?”, e “o que significa segui-Lo?“ Pois os termos que Pedro usa são ambíguos, porque cada um os interpreta conforme a sua cabeça. Por isso, Jesus toma uma atitude, aparentemente estranha: “Ele ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias!” Que coisa esquisita! Jesus proíbe que se fale a verdade sobre Ele! Como é que Ele espera angariar discípulos deste jeito? O assunto merece mais atenção.
Realmente, Pedro acertou em termos de teologia, de “ortodoxia”, conforme diríamos hoje. Ele usou o termo certo para descrever Jesus. Mas, Jesus quer esclarecer o que significa ser “O Messias de Deus”. Pois cada um pode entender este termo conforme os seus desejos. Jesus quer deixar bem claro que ser “messias” para ele é ser o “Servo Sofredor” de Javé. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai levá-Lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas, e econômicas, enfim, com a classe dominante do seu tempo, e não o Messias nacionalista e triunfalista das expectativas de então.
No nosso tempo, quando é moda apresentar um Jesus “light”, sem exigências, sem paixão, sem Cruz, sem compromisso com a transformação social, o texto nos desafia para clarificar em que Jesus acreditou? O Jesus “Ôba! Ôba!” tão amado por setores da mídia, e também das Igrejas, ou o Jesus bíblico, o Servo de Javé, que veio para dar a vida em favor de todos? Esse assunto virá à tona no evangelho do próximo domingo.
Fonte: Padre Tomaz Hughes SVD
