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Pastoral nesse campo elabora planejamento estratégico
Formar e educar para a comunicação, com o objetivo de levar a Boa Nova a todos. Esse é o objetivo do novo projeto da Pastoral da Comunicação (Pascom) da Igreja no Brasil, discutido em Brasília.
Coordenadores da Pascom dos 17 regionais da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) reuniram-se entre domingo e terça-feira, no Centro Cultural de Brasília (CCB), para elaborar um planejamento da Pastoral da Comunicação que integrasse as ações nesse campo.
A Irmã Élide Fogolari, assessora do Setor Comunicação Social da CNBB, afirmou a Zenit que o objetivo do encontro foi justamente elaborar um projeto nacional da Pastoral que abrangesse os meios e processos de comunicação da Igreja no Brasil.
«Estamos conscientes de que a comunicação da Igreja no Brasil não está articulada. O documento que estamos elaborando vai propor ações, estratégias de articulação. Tenho certeza de que isso renderá muitos frutos», disse a religiosa.
Trata-se de uma estratégia de «formação e educação para a comunicação», enfatizando «os meios e os processos de comunicação da Igreja no Brasil, isso no meio da cultura gerada pelas novas tecnologias». Tudo isso «para anunciar a Boa Nova a todos», explicou.
A Pascom se organiza a partir do escritório central na CNBB. Dali se articulam as iniciativas com os 17 regionais do organismo episcopal. Por sua vez, os regionais se coordenam com as dioceses e assim com as paróquias e comunidades.
O planejamento estruturado no encontro nacional da Pascom contempla o objetivo geral da Pastoral, os objetivos específicos e ações comuns a serem desenvolvidas nos próximos anos.
O documento está sendo redigido. Na primeira quinzena de dezembro, chegará aos bispos referenciais dessa Pastoral no Brasil. Depois se estudará sua publicação ao público geral.
Ontem, o secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, ao presidir à missa no contexto do encontro, fez referência à comunicação no Brasil.
«A Igreja ainda hoje tem um lugar de prestígio na sociedade, mas frente às grandes empresas de comunicação somos como Zaqueu, pequenos.»
«Devemos imitá-lo e não temer o ridículo subindo em árvores, se assim for necessário para alcançar nosso objetivo», disse o bispo, segundo informa a CNBB.
Acompanhou o evento, que reuniu 30 pessoas, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura, Educação e Comunicação Social, Dom Orani João Tempesta, arcebispo de Belém.
Fonte: Zenit.
Sobre o papel do bispo de Roma
O cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, expressou nesta terça-feira sua confiança no bom andamento das relações entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas.
Em declarações à Rádio Vaticano por ocasião do encerramento do 22º Encontro Inter-religioso que aconteceu na capital do Chipre, sediado pela Igreja Ortodoxa local, o purpurado assegurou que «atualmente estamos num bom caminho com as Igrejas Ortodoxas», em referência aos recentes encontros tidos entre delegações de ambas as confissões cristãs.
«Agora estamos falando sobre o papel do bispo de Roma no primeiro milênio da Igreja universal; portanto, falamos do primado de Roma, e há uma boa aproximação, ainda que não um consenso pleno. De qualquer forma, é um passo importante», explicou.
O cardeal Kasper se mostrou convencido de que «o Espírito Santo está por trás deste movimento ecumênico e nos impulsiona a continuar apesar das dificuldades, que por outro lado são normais na vida do homem».
Para o purpurado, nesta aproximação está tendo um papel muito importante a «amizade pessoal» que se está desenvolvendo entre os bispos católicos e ortodoxos, ainda que advertiu que esta relação deve envolver também os fiéis leigos.
«O Patriarca Ecumênico [Bartolomeu I] esteve três vezes em Roma, algo que nunca havia acontecido na história – destacou. As coisas vão adiante, ainda que seja necessário muito tempo.»
O cardeal explicou também que estes países procedem em grande medida do outro lado da Cortina de Ferro, e sua recente incorporação à União Européia pode favorecer enormemente esta aproximação.
«No passado a política nos dividiu, mas agora nos impulsiona a unir-nos, católicos e ortodoxos, diante dos mesmos desafios», concluiu.
Fonte: Zenit.
ROMA - Durante seu encontro com o papa Bento XVI, Joseph Ratzinger, no Vaticano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta-feira um acordo que regulamenta o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil.
Através do acordo – composto por 20 artigos – sacerdotes e agentes pastorais terão “liberdade de entrar em hospitais, penitenciárias, estabelecimentos de ensino e em outros locais onde a Igreja leva sua mensagem espiritual”, afirmou o núncio apostólico no Brasil, monsenhor Lorenzo Baldisseri. Segundo o monsenhor, o acordo atende a um pedido da Igreja de uma certeza jurídica em relação a suas missões no país.
– A Igreja católica no Brasil é uma instituição em que há liberdade de expressão. Há a liberdade de cumprir a própria missão, mas faltava até agora um estatuto – explicou Baldisseri.
Ainda no encontro, o presidente Lula pediu que o pontífice incluísse a questão da crise financeira mundial em seus futuros pronunciamentos.
– Se todo o domingo o papa der um conselhozinho, quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema – brincou o presidente.
Lula se disse surpreendido com o nível de informações que o papa demonstrou ter sobre o Brasil.
– Ele sabia do programa Luz para Todos, das políticas do Brasil com a África e sobre o Bolsa Família– observou, acrescentando que a relação entre a Igreja e o Brasil é “indissociável”.
Os dois conversaram durante 24 minutos na biblioteca do Vaticano e depois posaram para fotos. Após o encontro, o papa cumprimentou a primeira-dama brasileira, Marisa Letícia, e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Nelson Jobim (Defesa) e Celso Amorim (Relações Exteriores), que acompanharam Lula na viagem.
Os dois chefes de Estado também trocaram presentes. Lula deu ao papa uma escultura de barro do artesão pernambucano, Manuel Eudócio, com representações de uma família de seis nordestinos viajando. Ratzinger deu a Lula uma caneta decorada e também presenteou as mulheres com rosários e os homens com medalhas com sua imagem.
Essa é a segunda vez que Lula se encontra com Bento XVI. Em maio do ano passado, o papa participou da 5ª Conferência Episcopal da América Latina e Caribe, realizada em Aparecida, em São Paulo.
– O papa é uma figura surpreendente – afirmou Lula. – A imagem que ele passava na televisão, antes de ir ao Brasil, era de um homem sisudo, de poucos amigos. Quando chegou, era um homem afável, acho que ele conquistou o Brasil e o Brasil o conquistou – acrescentou.
Assinatura
Ao final da audiência papal, o acordo foi firmado por Lula, Amorim, junto ao secretário de Estado vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, e o ministro das Relações Exteriores do Vaticano, monsenhor Dominique Mamberti.
O evento encerrou a visita do presidente à Itália.
Fonte: JB Online
Baseado em uma «laicidade saudável»
A Santa Sé e a República Federal do Brasil assinaram um acordo de amizade e colaboração nesta quinta-feira, no Palácio Apostólico Vaticano, segundo deu a conhecer a Sala de Imprensa Vaticana.
O acordo foi assinado, por parte da Santa Sé, pelo arcebispo Dominique Mamberti, secretário para as Relações com os Estados, e por parte do Brasil, por Celso Amorim, ministro de Assuntos Exteriores.
Assistiram ao ato numerosas personalidades, entre elas o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, e Dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, Dom Lorenzzo Baldisseri, núncio apostólico no Brasil, o presidente da República Federal do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, e a embaixadora do Brasil na Santa Sé, Vera Barroulin Machado.
O acordo, explica a nota vaticana, «consolida ulteriormente os tradicionais vínculos de amizade e de colaboração existentes entre ambas as partes»; está composto por um preâmbulo e 20 artigos que regulam vários âmbitos, entre eles «o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil, o reconhecimento dos títulos de estudo, o ensino religioso nas escolas públicas, o matrimônio canônico e o regime fiscal». Entrará em vigor após o intercâmbio das ratificações.
No discurso de Dom Mamberti, o prelado recordou que «dois acontecimentos de particularíssima relevância marcam, nos dois últimos anos, a vida do Brasil e da Igreja Católica que vive nele».
Um deles foi a visita apostólica de Bento XVI por ocasião da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida, em maio de 2007.
No momento de sua chegada, recordou, o pontífice afirmou que o Brasil «ocupa um lugar muito especial no coração do Papa, não só porque é cristão e tem o número mais elevado de católicos, mas principalmente porque é uma nação rica de potencialidades com uma presença eclesial que é motivo de alegria e esperança para toda a Igreja».
O olhar do Santo Padre, acrescentou Dom Mamberti, estendeu-se «desde o Brasil a toda a América Latina, um continente – afirma o documento conclusivo de Aparecida – que é em si mesmo um dom entregue benevolamente por Deus, graças à beleza e fecundidade de suas terras e à riqueza de humanidade que emana de sua gente, das famílias, dos povos e das múltiplas culturas».
A segunda circunstância é precisamente a assinatura do acordo, «importante ato que se coloca no caminho desses vínculos de amizade e colaboração que subsistem há quase dois séculos entre as partes, e que hoje foram ulteriormente reforçados».
Se a constituição de 1824 imprimia ao império brasileiro um caráter «estritamente confessional», explicou o representante vaticano, as sucessivas cartas fundacionais modificaram este marco, até a vigente constituição de 1988, que assegura «por uma parte a laicidade saudável do estado e, por outra, garante o livre exercício das atividades da Igreja em todos os âmbitos de sua missão».
Como dizia o Concílio Vaticano II na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, por outro lado, «a comunidade política e a Igreja são independentes e autônomas uma da outra em seus respectivos campos. Mas as duas, ainda que de diferente maneira, estão ao serviço da vocação pessoal e social dos próprios homens. Elas levarão a cabo este serviço pelo bem de todos, de forma tanto mais eficaz quanto mais cultivem uma saudável colaboração entre elas, segundo modalidades adaptadas às circunstâncias de tempo e lugar».
Através da assinatura deste acordo, observou Dom Mamberti, este marco «recebe hoje uma ulterior confirmação, de caráter jurídico e internacional».
Entre os principais elementos do texto, citou «o reconhecimento da personalidade jurídica das instituições previstas no ordenamento canônico, o ensino da religião católica nas escolas, como das demais confissões religiosas, o reconhecimento das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial, a inserção de espaços dedicados ao culto nos ordenamentos urbanos e o reconhecimento dos títulos acadêmicos eclesiásticos».
A propósito disso, o prelado constatou que «estaria fora de lugar falar de privilégios, porque não há nenhum privilégio no reconhecimento de uma realidade social de tão grande relevância histórica e atual como a Igreja Católica no Brasil, sem que isso tire nada do que se deve aos cidadãos de outra fé e de distinta convicção ideológica».
Da mesma forma, recordou «com sentido de gratidão» o papel da Conferência Episcopal Brasileira na gênese do Acordo, sublinhando que foi precisamente o episcopado brasileiro quem sugeriu em 1991 a oportunidade de estipular um Acordo internacional entre a Igreja e o Estado, impulso que levou em 2006 ao começo oficial das negociações.
Neste contexto, Dom Mamberti augurou que o texto «possa o quanto antes entrar em vigor e contribuir, como está em suas finalidades, não só para consolidar os vínculos entre a Santa Sé e o Brasil e favorecer cada vez mais o desenvolvimento ordenado da missão da Igreja Católica, mas também para promover o progresso espiritual e material de todos os habitantes do país e colaborar, enquanto for possível, na solução dos grandes problemas que hoje preocupam a humanidade».
Fonte: Zenit.
Entidade portuguesa pede atenção ao risco de aumento da pobreza e do desemprego
No contexto da crise econômica, os empresários cristãos são chamados a testemunhar sua liderança e os valores da Doutrina Social da Igreja, recorda uma entidade portuguesa.
A ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores) alerta para o risco de duas graves consequências da crise: o aumento da pobreza e do desemprego.
«A pobreza e o desemprego permanecem como os dois principais problemas da sociedade portuguesa e há um risco não negligenciável de se agravarem no próximo ano», afirma a entidade em nota difundida ontem.
«Todos os empresários e gestores deverão consciencializar a importância do seu papel neste contexto, assumindo-se como verdadeiros líderes sociais, gerando confiança e agindo de forma positiva e solidária, sobretudo em quadros de grande dificuldade.»
De acordo com a associação, em tempos de crise, «as principais preocupações de um líder empresarial cristão deverão ser a sustentabilidade da sua empresa e o dia seguinte dos mais fracos e necessitados».
«Devem ser feitos os melhores esforços para, num quadro de racionalidade econômica, evitar mais desemprego e mais pobreza», enfatiza.
A ACEGE apela a todos os empresários e gestores «para que as empresas por que são responsáveis paguem pontualmente as suas dívidas, não contribuindo para o agravamento da crise, nem tirando partido dela».
«Ao dever moral de pagar pontualmente, acresce hoje o dever moral de não agravar a crise e de não tornar ainda mais difícil a vida dos outros empresários e gestores e dos trabalhadores pelos quais são responsáveis.»
A associação também chama os empresários e gestores a que «não esmoreçam as políticas de responsabilidade social das suas empresas».
Neste contexto –prossegue a nota–, deve ser dada «especial atenção à questão do salário mínimo e ser feita uma avaliação, articulando critérios de sustentabilidade da empresa com critérios de generosidade e amor aos mais desfavorecidos, no sentido de apurar, em consciência, se é possível pagar acima do mínimo legal».
Ao destacar que «a ética teria evitado a crise mundial que hoje vivemos», a ACEGE sublinha «o papel decisivo dos valores, bem como do contínuo processo de formação ética dos empresários e gestores».
Fonte: Zenit.
