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ASSUNÇÃO - O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, agradeceu o Vaticano pela concessão da dispensa de sua condição de clérigo, uma medida que qualificou como “um sinal de amor” da parte do papa Bento XVI.
O anúncio da decisão foi feito hoje em Assunção pelo núncio do Vaticano, mons. Orlando Antonini. Agora, o ex-bispo Lugo tem o caminho livre para assumir oficialmente a presidência no próximo dia 15 de agosto.
Comentado a declaração da Igreja católica, Lugo afirmou aos jornalistas que se tratava de uma notícia que ele aguardava “há muito tempo”.
“Gostaria de agradecer sinceramente Sua Santidade Bento XVI, por uma decisão que não foi fácil para o Vaticano, dado que não havia precedentes”, acrescentou o presidente eleito do Paraguai.
Depois de ter destacado uma frase do comunicado do Vaticano, a qual afirma que o Papa decidir reconsiderar o pedido de dispensa “pensando no bem do Paraguai”, o ex-bispo de San Pedro declarou: “Que amor dever ter Bento XVI pelo Paraguai, se para o bem do país decidiu me exonerar de todas as responsabilidades clericais!”.
Desculpando-se por não oferecer mais comentários, o presidente eleito concluiu afirmando que “quando fala Roma, se encerra qualquer discussão”.
A respeito de um eventual retorno à liderança de sua diocese uma vez encerrado o mandato presidencial, Lugo disse que agora está pensando apenas em se dedicar à presidência, cargo quede deve ocupar entre 15 de agosto deste ano e 15 de agosto de 2013. “O que acontecerá em 16 de agosto daquele ano, veremos depois”, declarou.
O decreto de hoje consuma “a conseqüente perda dos direitos inerentes à condição anterior, dispensando-o dos votos religiosos feitos na sociedade do Verbo Divino, da obrigação do celibato e das outras obrigações próprias do estado clerical”, como explicou o núncio.
Em dezembro de 2006, Lugo havia escrito ao pontífice pedindo a redução de sua condição de bispo para leigo, pois tinha a intenção de ingressar na política. Na época, Lugo recebeu uma suspensão “a divinis”, condição que o proibia de exercer o ministério episcopal, apesar de considerá-lo ainda bispo.
Mons. Antonini lembrou que a Santa Sé procurou de todas as maneiras convencer Lugo a não se candidatar para as eleições, mas a vitória no pleito impôs uma nova reflexão.
Fonte: ANSA

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