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E promove uma renovada pesquisa antropológica sobre o «gênio feminino»
CIDADE DO VATICANO, domingo, 10 de fevereiro de 2008.- Bento XVI denunciou antigas e novas discriminações contra a mulher, que vão desde abusos machistas até o uso publicitário da mulher objeto.
Ao mesmo tempo, promoveu uma renovada pesquisa antropológica sobre a mulher – mas também sobre o homem –, que por uma parte tenha em conta a tradição cristã e por outra incorpore os progressos da ciência e a atual sensibilidade cultural.
O Papa apresentou estas propostas aos participantes no congresso internacional «Mulher e homem, a totalidade do humanum», celebrado em Roma de 7 a 9 de fevereiro para recordar os vinte anos da publicação da carta apostólica de João Paulo II «Mulieris dignitatem».
Na audiência que concedeu no último dia a este auditório internacional, em sua maioria mulheres, convocado pelo Conselho Pontifício para os Leigos, o Papa reconheceu que «ainda hoje persiste uma mentalidade machista, que ignora a novidade do cristianismo, novidade esta que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher com respeito ao homem».
«Há lugares e culturas nos quais a mulher é discriminada e menosprezada só pelo fato de ser mulher, nos quais se recorre inclusive a argumentos religiosos e pressões familiares, sociais e culturais para defender a disparidade dos sexos, nos quais se perpetram atos de violência contra a mulher, fazendo dela objeto de maus-tratos ou de abusos na publicidade e na indústria do consumo e da diversão».
Neste contexto, «precisa-se de uma renovada investigação antropológica que, baseando-se na grande tradição cristã, incorpore os novos progressos da ciência e das atuais sensibilidades culturais, contribuindo deste modo a aprofundar não só na identidade feminina, mas também na masculina, que com freqüência é objeto de reflexões parciais e ideológicas».
Apresentando a tradição cristã e em particular a contribuição que ofereceu Karol Wojtyla em seu papado, refletiu «na igualdade de dignidade e na unidade» do homem e da mulher, baseado «no fundamento da dignidade de toda pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus, que «os criou homem e mulher», como diz a Bíblia em Gênesis (1, 27).
«Perante correntes culturais e políticas que tentam eliminar, ou ao menos de ofuscar e confundir, as diferenças sexuais inscritas na natureza humana, considerando-as como uma construção cultural, é necessário recordar o desígnio de Deus que criou o ser humano homem e mulher, com uma unidade e ao mesmo tempo uma diferença originária e complementar».
«A natureza humana e a dimensão cultural se integram em um processo amplo e complexo que constitui a formação da própria identidade, na qual ambas dimensões, a feminina e a masculina, se correspondam e complementam».
Neste contexto, o Papa reivindicou o direito dos filhos a «poder contar com um pai e uma mãe para que cuidem deles e os acompanhem em seu crescimento. O Estado, por sua parte, tem de apoiar com políticas sociais adequadas tudo o que promove a estabilidade e a unidade do matrimônio, a dignidade e a responsabilidade dos cônjuges, seu direito e tarefa insubstituível como educadores dos filhos».
Por último, exigiu que «se permita à mulher colaborar na construção da sociedade, valorizando seu típico «gênio feminino».

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