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Iniciativa do diretor de «Il Foglio», Giuliano Ferrara
Por Mercedes de la Torre
ROMA, 17 de janeiro de 2008.- Em resposta à intolerância de professores e universitários que impediram a visita de Bento XVI à universidade «La Sapienza» de Roma, um grupo de leigos (alguns deles não-católicos e nem crentes), convidados pelo diretor do jornal «Il Foglio», Giuliano Ferraras, organizou na noite de ontem uma vigília de testemunhos em defesa do direito à palavra do Papa.
Ferrara explicou: «Os professores da universidade de Roma que lutaram por boicotar a visita de Ratzinger, que ocuparam a reitoria e que tornaram inseguro o terreno no qual ainda deveria dar-se uma acolhida digna para uma pessoa como Joseph Ratzinger, cometeram um ato de intolerância».
Os participantes da vigília, segundo Ferrara, que não se apresentam como católicos, são «leigos», ou seja, defensores da saudável separação Igreja-Estado.
«Cremos que, em princípio, não se pode negar a ninguém o direito à palavra e pensamos sobretudo que Ratzinger é um Papa, um teólogo, um grande intelectual do século XX, que se pôs à disposição para ajudar-nos a raciocinar, e porque nós o ajudamos, como homem de fé, a comunicar sua fé em termos de razão.»
«Em uma universidade como ‘La Sapienza’ – indica o jornalista – ele deveria haver podido desempenhar serenamente sua vocação, deixando uma marca, ainda que a deixará, pois o discurso terá uma ressonância mundial.»
Na vigília, havia professores e autoridades acadêmicas da universidade «La Sapienza», que anunciaram a iniciativa para manifestar seu desacordo com relação à intolerância.
Eugenia Roccella, jornalista e escritora, explicou à Zenit o sentido da presença na vigília: «É um mínimo gesto de solidariedade com o Santo Padre».
«É um escândalo o que em uma instituição cultural, que deveria educar os jovens nos valores da verdadeira laicidade, da tolerância, da democracia e do respeito recíproco, aconteça algo assim.»
«O Papa foi a todas as partes do mundo, e só na Itália, na universidade, não pode falar. É verdadeiramente a degradação de toda forma cultural», conclui a escritora.
Lucetta Scaraffia, professora de história contemporânea em «La Sapienza», considera adequada a decisão do Santo Padre de não visitar a universidade por causa dos protestos, «pois não lhe garantiram a possibilidade de falar em condições normais».
«Eu quis participar deste encontro para testemunhar que o que aconteceu é gravíssimo e que algo deve ser feito», conclui.

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