Arquivos
Conferência de Aparecida propõe «vivência qualificada da fé», diz arcebispo
«Na condição de discípulo e discípula de Cristo», afirma D. Walmor de Azevedo
Por Alexandre Ribeiro
BELO HORIZONTE, quarta-feira, 9 de janeiro de 2008. - A configuração institucional mais missionária para a Igreja, sublinhada pelo Documento de Aparecida, «visa, de modo especial, a qualificação da vivência da fé de todos os discípulos e discípulas de Cristo Jesus», afirma um arcebispo brasileiro.
Segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, esta vivência qualificada da fé «supõe uma revisão séria de tradições vividas, de hábitos adotados, de modificações de hábitos culturais, muitas vezes contrários aos valores do Evangelho».
«Este é um questionamento que precisa ser assimilado por todos os cristãos. Um questionamento que supõe aceitar um processo de passar a limpo o próprio coração, atingindo a própria conduta», enfatiza o arcebispo de Belo Horizonte (Minas Gerais), em mensagem aos fiéis difundida por sua arquidiocese essa semana.
«Assim, superando o simples estar na Igreja, com uma pertença pouca qualificada em gestos comprometidos de fraternidade e solidariedade.»
Segundo Dom Walmor, este processo de qualificação «afrontará o gravíssimo problema do déficit de fé que assola a vida moderna e permeia também as instituições religiosas».
Déficit de fé que se comprova em muitas circunstâncias e de muitos modos, afirma o prelado.
«Por exemplo, a presença e uso dos instituídos que configuram a instituição em benefício próprio, sem aquele amor que encharca todo aquele que vive uma inserção profunda e diária no mistério de Deus.»
Este déficit de fé também se revela, de acordo com o arcebispo, «na medida em que se pensa o institucional da Igreja na mesma compleição sociológica de outras instituições, obscurecendo o sentido da experiência do mistério do amor de Deus».
Em conseqüência – afirma –, «aparece o comprometimento da vivência da fé de modo profundo, uma confusão do seu sentido e a vivência descomprometida em relação aos valores do Evangelho».
Segundo Dom Walmor de Azevedo, esta vivência autêntica da fé, na condição de discípulo e discípula de Cristo Jesus, como aponta o Documento de Aparecida, «tem que se tornar um serviço da Igreja ao mundo, à sociedade contemporânea, tocando sua compreensão para abrir caminhos de maior solidariedade e vivência mais efetiva da fraternidade universal».
Sendo assim, prossegue o prelado, a missão permanente que a Igreja Católica assume na América Latina e no Caribe «não é uma disputa numérica, em termos de membros, no cenário religioso plural contemporâneo. Esta será uma conseqüência natural».
«O coração humano, embora em meio a turbulências e sombras, está à procura do que é autêntico e sincero; verdadeiro e bom. Esta é uma convicção prévia de que aí está o bem, no que é duradouro.»
Assim, afirma Dom Walmor, «os compromissos do Documento de Aparecida apontam para uma qualificação da vivência da fé pela dinâmica do discipulado, oferecendo um serviço qualificado ao mundo contemporâneo para ajudá-lo a sair de impasses graves na ordem social e política, humanitária e relacional».
De acordo com o arcebispo, o discipulado é uma experiência, que inclui percursos próprios, os quais supõem exercícios quotidianos; e «estes exercícios diários podem modular o coração de maneira nova».
«Vale a pena conhecer para experimentar a proposta de ser discípulo e discípula de Cristo Jesus. Uma aposta que dará bons resultados», afirma.
Trata-se de uma aposta «que começa na capacidade de assumir-se como discípulo, em tudo, e não mestre. É um percurso educativo para amar mais e de modo verdadeiro. Todos são convidados a fazer este percurso neste encontro semanal», destaca Dom Walmor.

Deixar um Comentário em " «Na condição de discípulo e discípula de Cristo» "