Arquivos
Cardeal Turkson, de Gana, fala sobre a Jornada Missionária Mundial
O Domingo Mundial das Missões (Domund) não consiste só em uma ajuda econômica aos países empobrecidos, afirma o cardeal africano Turkson, em uma visita a Londres, Reino Unido.
O cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, arcebispo de Cape Coast, Gana, encontra-se na Inglaterra esta semana para estreitar laços já existentes entre os dois países e sublinhar a importância da Jornada Missionária Mundial.
No dia do Domund, no domingo 21 de outubro, o cardeal africano celebrará a missa na catedral de São Jorge, Southwark, Londres.
Falando com Zenit sobre esta jornada, o cardeal afirma: «minha primeira preocupação é explicar a visão da missão na Igreja. Este objetivo não se pode equiparar de modo simplista com a ajuda ao desenvolvimento econômico do Sul».
«O principal da missão é a promoção da Palavra de Deus e a fé em Jesus. Esta será diferente nos diversos países.» Por exemplo, acrescenta, «proclamar pode requerer alguma estrutura que apóie a proclamação, como na Índia, América Latina e África».
«Também há lugares nos quais tomará a forma de simples presença do testemunho, como na África do Norte e no Oriente Médio, por exemplo; algo tão simples como levar a Bíblia. Neste caso, o testemunho está na forma de vida das testemunhas e o que elas fazem», acrescenta.
«A missão consiste na forma fazer tudo isso. O mesmo se pode dizer aqui no Ocidente. Também realizamos a missão, ainda que não do mesmo jeito que em outros lugares.»
«Penso no que aconteceu na história com a proclamação do Evangelho. O modo em que começou, nas primeiras páginas da Escritura, como se vê nos Atos dos Apóstolos, foi convidando as pessoas para a Igreja, mediante uma experiência real de evangelização através da mensagem da Palavra de Deus.»
«Depois, a mensagem foi restabelecida por alguma forma de catecismo, mas a catequese não é o ponto de entrada. Deveria haver um convite e depois deveria vir a catequese.»
«Quando acolhemos as pessoas na Igreja só com catequeses – afirma o cardeal –, temos cristãos com noções que adoecem de experiência pessoal. Se tivermos um cristianismo excessivamente conceitual, quando chega alguém com outra idéia, ou com um modo melhor de olhar as coisas, perde-se a fé.»
«O que se torna necessário é a experiência do amor de Deus por nós em Cristo Jesus, não de palavras, mas vivido e experimentado. Neste caso, permanece algo na experiência da pessoa – acrescenta. Precisamos descobrir novos caminhos para convidar as pessoas não simplesmente a filosofar, mas a entrar em uma relação com Deus».
O cardeal Turkson confessa que acredita que a África tem o dever de ajudar a Igreja na Europa.
O purpurado, de 59 anos, explica que justamente como a Europa foi generosa em sua projeção missionária na África, assim a Igreja na África deve estar igualmente disposta a compartilhar a missão da Igreja no mundo.
Certamente, não se trata de que a África envie sacerdotes para a Europa, declara. Gana tem um presbítero para cada 2.400 católicos e a Grã-Bretanha tem um para cada 890. Porém, em seu país há três centros de formação, com uma média 450 seminaristas.
Desses jovens, reconhece, depende em boa parte o futuro da Igreja em seu país.
«Quando é ordenado e inicia seu ministério, um sacerdote não pode pregar a conversão se ele mesmo não a experimentou. Quando não teve nunca a experiência da conversão, a Igreja tem um monte de fraquezas», explica o cardeal africano.
E acrescenta: «as pessoas então deixam a Igreja e entram em outros grupos, como os evangélicos, porque não aprofundaram em sua fé. As pessoas aprenderam algo, algumas noções e conceitos, mas não guardaram o dom do amor de Deus, cuja riqueza a Igreja tem de oferecer».
«Se a pessoa sua própria experiência de relação com Deus – conclui o cardeal Turkson –, então sua fé é mais duradoura e permanente. Devemos complementar as noções e a filosofia fazendo que as pessoas as arraiguem na experiência».

Deixar um Comentário em " Domund não é só questão de ajuda econômica "