Análise e propostas de Bento XVI diante da crise econômica
Apresentadas em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz
Por Jesús Colina
A obsessão dos agentes financeiros por conseguir elevadíssimos lucros no curto prazo é algo perigoso para todos, começando pelos próprios interessados, denuncia Bento XVI.
O Papa fez uma análise do papel das finanças no atual panorama econômico na mensagem escrita por ocasião do Dia Mundial da Paz (1º de janeiro de 2009), que nesta ocasião leva por tema: «Combater a pobreza, construir a paz» e que é publicada em uma crise financeira e econômica global em precedentes.
A crise
«Uma atividade financeira confinada no breve e brevíssimo prazo torna-se perigosa para todos, inclusivamente para quem consegue beneficiar dela durante as fases de euforia financeira», adverte o Santo Padre.
Bento XVI, que considera que o combate à pobreza deve levar em conta necessariamente o contexto da globalização, não condena a atividade financeira, e mais, lhe atribui um papel importante para a promoção do desenvolvimento.
«A função objetivamente mais importante do mercado financeiro, que é a de sustentar a longo prazo a possibilidade de investimentos e consequentemente de desenvolvimento, aparece hoje muito frágil: sofre as consequências negativas de um sistema de transações financeiras – a nível nacional e global – baseadas sobre uma lógica de brevíssimo prazo, que busca o incremento do valor das actividades financeiras e se concentra na gestão técnica das diversas formas de risco.
Segundo o Papa, «a recente crise demonstra como a atividade financeira seja às vezes guiada por lógicas puramente auto-referenciais e desprovidas de consideração pelo bem comum a longo prazo».
«O nivelamento dos objectivos dos operadores financeiros globais para o brevíssimo prazo reduz a capacidade de o mercado financeiro realizar a sua função de ponte entre o presente e o futuro: apoio à criação de novas oportunidades de produção e de trabalho a longo prazo».
Propostas
Neste contexto, o Papa considera que é necessário um «quadro jurídico eficaz para a economia» que permita «à comunidade internacional e especialmente aos países pobres individuarem e actuarem soluções coordenadas para enfrentar os referidos problemas».
O Santo Padre exige «estímulos para se criarem instituições eficientes e participativas, bem como apoios para lutar contra a criminalidade e promover uma cultura da legalidade».
Agora, Bento XVI alerta perante «as políticas marcadamente assistencialistas» por considerar que é inegável que «estão na origem de muitos fracassos na ajuda aos países pobres».
O Papa considera que nesta busca de soluções é importante ter em conta o justo e necessário valor do lucro, inclusive na «luta contra a fome e a pobreza absoluta».
«Deste ponto de vista, seja banida a ilusão de que uma política de pura redistribuição da riqueza existente possa resolver o problema de maneira definitiva».
Com efeito, assinala, «o valor da riqueza depende em medida determinante da capacidade de criar rendimento presente e futuro».
Por isso, assegura, «a criação de valor surge como um elo imprescindível, que se há- de ter em conta se se quer lutar contra a pobreza material de modo eficaz e duradouro».
Uma questão de valores
Na primeira jornada dos trabalhos do último Sínodo dos Bispos (Cf. Zenit, 6 de outubro de 2008), o Papa falou da crise, em particular da queda de grandes bancos.
«Sobre a areia constrói quem constrói só sobre as coisas visíveis e tangíveis, sobre o êxito, sobre a carreira, sobre o dinheiro. Aparentemente estas são as verdadeiras realidades. Mas tudo isto um dia passará», assegurou.
A mensagem de Bento XVI por ocasião do Dia Mundial da Paz foi apresentada pelo cardeal Renato R. Martino, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações, como um «aperitivo» da próxima encíclica social que deve ser publicada no início de 2009.
Fonte: Zenit.
Mais de 80 bispos e representantes de mais de 170 grupos católicos pediram que a convenção da ONU sobre mudanças climáticas reflita sobre as necessidades dos pobres nos países em vias de desenvolvimento.
Dentro da recente Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (CMNUCC) em Poznan (Polônia), reuniram-se para lançar uma campanha mundial exigindo uma ação urgente em relação às mudanças climáticas.
A campanha está encabeçada pela Cáritas Internacional (www.caritas.org), uma rede de entidades católicas de caridade, e pela CIDSE (www.cidse.org), uma aliança católica de organizações para o desenvolvimento.
«As comunidades dos países em vias de desenvolvimento foram as mais duramente atingidas pelas mudanças climáticas, apesar de serem as menos responsáveis de causá-las», disse René Grotenhuis, presidente da CIDSE.
«Temos a obrigação moral de assegurar que os países recebam a assistência financeira e técnica que precisam para adaptar-se às mudanças climáticas e para gerar melhores condições de vida para seu povo.»
Como parte do lançamento da campanha, mais de 80 bispos, provenientes tanto do Norte como do Sul, dirigiram uma carta aos governos envolvidos na negociação. A carta convida à solidariedade com os pobres do mundo e à ação rápida e sustentada a propósito da mudança climática nos países industrializados.
«As pessoas em países como Bangladesh dependem completamente do clima. Nossa agricultura – e conseqüentemente nossa cultura – está baseada na água das chuvas e dos rios. Com a mudança nos padrões das precipitações, as tempestades mais duras e as longas secas já estão custando vidas e alterando formas de subsistência.»
Dom Theotonius Gomes C.S.C., presidente da Cáritas Bangladesh, afirmou: «Durante os últimos anos, vimos um rápido aumento na necessidade de auxílio e na provisão de alimentos de emergência. Estima-se que nos próximos 10 anos haverá 200 milhões de refugiados devido a questões climáticas, dos quais 25%, 50 milhões de pessoas, serão de Bangladesh».
Os países industrializados são responsáveis por 70% do dióxido de carbono emitido desde o começo da era industrial. Os países em vias de desenvolvimento têm menor capacidade de reação e são mais vulneráveis às mudanças nos padrões climáticos, às tempestades catastróficas e a outros efeitos da mudança de clima.
«Bilhões de dólares estão sendo destinados ao alívio da pressão dos mercados financeiros. Isso é importante, mas não devemos esquecer que, se não nos ocuparmos da mudança climática agora, o preço que teremos de pagar nos anos vindouros será de uma escala humana e financeira que ainda não podemos compreender», disse René Grothenhuis.
Esta campanha reunirá milhares de católicos que pressionarão seus governos para negociar um acordo climático socialmente justo após 2012, que deverá incluir o apoio seguro e suficiente dos países industrializados aos países em vias de desenvolvimento, para ajudá-los a adaptar-se aos impactos das mudanças climáticas. Também deverá incluir o compromisso destes países de reduzir pelo menos 30-40% das emissões de gases que geram o efeito invernadeiro para 2020, baseando-se nos níveis de 1990.
Fonte: Zenit.
Esclarecimento no Ângelus do terceiro domingo do Advento
Neste domingo, Bento XVI tranqüilizou muitas pessoas que hoje em dia, como acontecia entre os primeiros cristãos, prevêem calamidades ou fenômenos mais ou menos dantescos ligados a uma possível volta de Cristo.
O pontífice esclareceu que a volta de Jesus, assim como sua «proximidade», é, antes de qualquer coisa, uma questão de amor, pois «o amor aproxima».
Ao introduzir a oração mariana do Ângelus ao meio-dia, o Papa explicou que este terceiro domingo do Advento é conhecido como Domenica gaudete («estai alegres»), porque a antífona de entrada começa com uma exortação de São Paulo aos filipenses: «Alegrai-vos no Senhor», porque «o Senhor está próximo».
«Esta é a razão da nossa alegria – assegurou o Papa, falando da janela do seus aposentos. Mas o que isso significa, ‘o Senhor está próximo’? Em que sentido devemos entender esta ‘proximidade’ de Deus?», perguntou-se.
«O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Filipos, pensa evidentemente no retorno de Cristo, e convida-os a se alegrar porque isso é seguro», respondeu em sua alocução dirigida aos milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro do Vaticano.
No entanto, recordou, o próprio Paulo, em sua carta aos tessalonicenses, adverte que ninguém pode conhecer o momento da vinda do Senhor (cf. 1 Tes 5, 1-2) e alerta sobre todo sensacionalismo, como se a volta de Cristo fosse iminente (cf. 2 Tes 2, 1-2).
Dessa forma, «então, a Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, compreendia cada vez melhor que a ‘proximidade’ de Deus não é uma questão de espaço e tempo, mas uma questão de amor: o amor aproxima!», exclamou.
Por este motivo, concluiu, «o próximo Natal vai recordar esta verdade fundamental da nossa fé e, diante do presépio, podemos saborear a alegria cristã contemplando o Menino Jesus e o amor de Deus que veio a nós».
Fonte: Zenit.
A multidão o interrogava: “O que devemos fazer?” Em sua resposta, S. João Batista exorta que “quem tiver duas túnicas, reparta-as com aquele que não tem, e quem tiver o que comer, faça o mesmo”. Através dos dois verbos, vestir e comer, ele aponta para as primeiras obras de caridade, correspondendo às necessidades básicas do ser humano. É a partilha de bens, que nos conduz ao dom do que temos, sobretudo, do supérfluo tornando concreta a equidade social.
Aos soldados que lhe perguntavam: “E nós, que precisamos fazer?” Disse-lhes: “A ninguém molesteis com extorsões”, recordando que a força degenera facilmente em violência e corrupção. Ele deseja preparar os ouvintes para que trilhem o caminho da paz e tenham o coração aberto para acolher o Messias ou, como ele mesmo diz, “Aquele que vem após mim e me precedeu”, indicando que Cristo é o Filho de Deus, eterno e transcendente.
Ele batizará no fogo, marcando a irrupção com Jesus de um mundo novo em que, pelo batismo, todos serão novas criaturas. Oremos a Deus para que também nós, como s. João Batista, possamos, neste Natal, trazer muitos a Jesus, tornando-os conosco participantes da alegria do Evangelho.
Fonte: OTEMPONLINE
Jo 1, 6-8. 19-28
“Aplainai o caminho do Senhor”
Mais uma vez, a figura central do evangelho dum domingo do Advento é o Precursor, João Batista. Essa vez, num texto tirado do Evangelho de João, o Batista é apresentado como testemunha de Jesus. Ele assume a identidade de quem veio gritar “Aplainai o caminho do Senhor”, usando uma frase tirada de Isaías 40, 3. No texto de Isaías, esta frase é usada para preparar o Novo Êxodo, a volta dos exilados do cativeiro na Babilônia, no início do tal chamado “Livro da Consolação de Israel” (Is 40-55). A mensagem de João Batista também prepara o povo para um evento de grande alegria – a vinda do Messias, Jesus de Nazaré!
Nesse texto, já no primeiro capítulo do Quarto Evangelho, entram em cena os que serão mais tarde os adversários de Jesus – as autoridades dos judeus. Embora às vezes neste Evangelho o termo “os judeus” designe o povo de Israel em geral (cf. 3,25;4,9.22 etc), aqui, como na maioria das vezes, o termo significa os representantes dum mundo que não compreende, e eventualmente hostiliza, Jesus. Nesse sentido, ele caracteriza especialmente as autoridades religioso-políticas do judaísmo da época – os sumos sacerdotes, fariseus e escribas.
Atrás do texto também dá para entrever a tensão que existia dentro da comunidade do Discípulo Amado entre os seguidores de João Batista e os de Jesus. Por isso a insistência no texto em informar que João “não era o Cristo”, mas testemunho do fato de que Jesus era o enviado de Deus.
No mais, o evangelho retoma a mensagem do domingo passado (Mc 1,1-8) – um convite para que todos nós preparemos o caminho do senhor. “Aplainai o caminho do Senhor” significa facilitar a sua chegada entre nós, tirando das nossas vidas tudo que possa impedir um encontro real com Jesus. No nível individual, aqui há um convite para uma conversão pessoal, que é um processo contínuo na vida de todos nós. Mas também há o desafio para que nos empenhemos na luta contra tudo que possa diminuir a vida humana – tudo que causa sofrimento aos nossos irmãos e irmãs. Pois o pecado que existe no mundo não é somente pessoal, mas também social – e muito mais do que a soma dos erros individuais. O pecado social se manifesta nas estruturas sociais injustas e opressoras, que tiram de tanta gente a dignidade dos filhos e filhas de Deus. A voz do Precursor, como a de Isaías quinhentos anos antes dele, nos desafia para que a nossa conversão pessoal também se manifeste no esforço para a construção dum mundo mais digno, justo, humano e fraterno – o mundo que Jesus veio estabelecer.
Fonte: Padre Tomaz Hughes, SVD
