O padre vem do coração de Deus para o coração do mundo. Deus ama e salva seu povo servindo-se do ministério sacerdotal. Mesmo consagrado, o padre não deixa de ser humano e falível. Carrega o mistério em vaso de barro. Isso tudo é muito fascinante e providencial. Tirado do meio dos homens, o padre é ungido para tudo o que diz relação a Deus. É um consagrado para servir mesmo sendo ‘‘médico ferido’’.
Jesus, ao escolher seus apóstolos, rezou uma noite inteira e, ao despedir-se deste mundo, rezou ao Pai, pelos seus padres: ‘‘Pai, guarda-os do mal; santifica-os pela verdade, pois neles sou glorificado’’ (Jo 17,15.17.10). A vocação sacerdotal é para a vida, a salvação, a santificação do mundo. ‘‘O Sacerdócio só será compreendido no Céu’’ (S. João Vianney). O mundo desceria a níveis infra-humanos se não tivéssemos lideranças espirituais. O padre é homem do povo para Deus e homem de Deus para o povo’’. Cabe-lhe unir, ligar a humanidade e Deus, fazer ponte, ser pontífice. Sim, o padre é convocado a destruir muros e construir pontes.
Nossos padres precisam de nossa oração, nossa compreensão e colaboração. Deus deu ao padre o poder de destruir o mal pela absolvição dos pecados. Assim, o padre é médico e um grande benfeitor da humanidade. Ele vence o mal pelo perdão e pela misericórdia. É um parteiro da graça, um obstetra da nova sociedade. Foi-lhe confiada a Eucaristia. Deste modo, o calvário e a ressurreição chegam até nós. Pelo ministério do padre, Jesus crucificado e ressuscitado é nosso contemporâneo. Grande é este mistério! Padre quer dizer pai e paróquia quer dizer casa. Nossas comunidades devem ter um espírito de família e serem comunidades misericordiosas e samaritanas. O padre coordena, lidera, anima estas comunidades. Ele desposa a comunidade e gera novos cristãos que devem ser como ‘‘alma do mundo’’. O sacerdócio contém em si grandeza e fraqueza, nobreza e simplicidade. Nele Deus e a humanidade se abraçam. São Francisco dizia: ‘‘Se eu encontrasse um anjo e um padre, primeiro beijaria a mão do padre, porque nele está o Filho de Deus’’. Dizia ainda: ‘‘Não levo em conta os pecados do padre, porque nele está o Filho de Deus’’. Precisamos ter olhos de garimpeiro para ver o tesouro, a beleza e a profundidade do amor de Deus escondido na pessoa do padre. O perigo é termos olhos de urubus que só enxergam defeitos. O padre não é anjo, nem demônio, é um ser humano, amado e consagrado para servir. Deus opera maravilhas na vida de cada padre.
Aos padres, nossos parabéns, gratidão e oração. Estamos precisando de mais vocações. Nossa prece seja aquela de Jesus: ‘‘Pai, santifica-os!’’. Com sacerdotes santos, teremos uma Igreja santa que será uma Igreja entusiasmada, atraente, resplandecente. Cada um de nós pode ser um animador de vocações. Os primeiros promotores das vocações são os pais e os párocos. Para um mundo melhor, dai-nos sacerdotes, Senhor.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
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