Eu tinha medo de Dom Jaime
Sem Categoria Julho 28, 2008Salve, salve meus irmãos, tudo em paz?!
Hoje gostaria de, através deste humilde blog, prestar minha homenagem ao primeiro bispo e arcebispo de Maringá, Dom Jaime Luiz Coelho. Neste último dia 26 de julho ele comemorou seus 92 anos. Com todo seu carinho, ele convidou-me para estar junto aos seus num almoço festivo na Paróquia Santa Maria Goretti, em Maringá. Foi lá, durante os parabéns, que fui recordar que eu tinha “medo” desse bispo.
Quando adolescente, conheci Dom Jaime pela sua fama de ser exigente. Alguns catequistas colocavam medo em nós dizendo que ele tocava na nossa face na hora do recebimento do sacramento da crisma. Infelizmente eles davam mais ênfase a esta parte, sem explicar o sentido bonito que do leve toque na face: uma tradição litúrgica antiga, significando um acordar para a vida adulta de cristão, acordar para vida do Espírito.
No dia da minha crima (17/12/1993), essa foi a imagem equivocada que tinha desse homem. Quando chegou minha vez de receber a unção com o óleo bento, ele aproximou-se “todo poderoso” (segundo minha visão da época), com aquela casula dourada que costuma usar em solenidades… fiquei nervoso e com medo… a respiração ofegante e o coração parecia chegar à boca… Fiquei tão atônito que quase não saiu o “Amém” após a unção. Meu padrinho de crisma precisou dar um chacoalhão no meu ombro pra sair alguma coisa da minha boca.
Quando entrei no seminário Dom Jaime já não era mais o bispo diocesano, mas ainda permanecia algum receio quando o encontrava em ordenações e festividades diocesanas. Com o tempo de seminário fui tendo oportunidades de conhecê-lo melhor, e o “medo” foi tranformando-se em admiração, e a admiração em amor.
Na minha ordenação sacerdotal tive a graça de poder contar com sua preciosa presença. Nunca vou esquecer-me das palavras de ânimo que ele proferiu na hora dos agradecimentos, convocando-me a seguir também os passos de Santo Cura d´Ars, padroeiro dos padres diocesanos. Foi também na ordenação que pude dizer a ele, publicamente, o quanto ele foi importante no meu discernimento vocacional: no mesmo dia da crisma Dom Jaime disse que ao menos um dos jovens crismados iria tornar-se padre… eu, no dia, não dei muita importância, e dava risada das brincadeiras da minha família durante o dia. Disse a Dom Jaime que naquele dia ele foi profeta, naquele dia ele profetizou minha ordenação sacerdotal. Falei-lhe da minha gratidão pela sua profecia e pelo exemplo de amor à Igreja e fidelidade ao Evangelho. À mim, Dom Jaime representa um ícone vivo de Cristo Pastor.
Parabéns Dom Jaime, Deus lhe abençoe, lhe dê muita saúde, paz e alegria!
E você, qual sua experiência de Dom Jaime?
Forte abraço e muita paz no coração de vocês!
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