Geração visual-burra – por Raymundo de Lima

Publicado por fernandogarcia em June 25, 2008

Autores vêm alertando para os efeitos da TV e internet na nova geração. Há os que criticam os pais por criarem uma geração sem compromisso com os valores do lar, da família, da tradição cultural local e do País. Outros, não poupam críticas à educação pós-moderna, tida como geradora de pessoas sem atitude crítica, individualistas, consumistas, desinteressadas pela leitura de livros e sem paixão para transformar o mundo.

As telas da TV, computador, celular fascinam os jovens. Mas, não quando o conteúdo os obriga a pensar. Umberto Eco vem alertando para o excesso de informações a que as crianças e os adolescentes têm acesso na rede e na TV faz com que eles percam a capacidade de buscar o que realmente é imprescindível para sua formação e vida.

Eles passam mais tempo jogando, trocando mensagens com os amigos virtuais, vendo mil imagens do que conversando com os pais e professores. Muitos pais se queixam da incomunicabilidade com os filhos hoje, embora vivam sob o mesmo teto.

O fascínio pelas telas gera uma linguagem neotelegráfica (correio eletrônico, celular), mas não uma nova ética de convivência. Nas tribos, os jovens se comunicam de modo cifrado. Tal comunicação se realiza em circuito narcísico, isto é, exclui os que não têm acesso à rede e aqueles que não acompanham o seu ritmo frenético e pensar raso.

Mark Bauerlein, professor da Universidade Emory, em Atlanta (EUA), lançou o livro “A Mais Burra das Gerações: Como a Era Digital Está Emburrecendo os Jovens…”, que alerta para o presente estar causando a morte da memória cultural. Atualmente, os jovens estão perdendo o memorizar uma simples lista de compras, não conseguem ler um livro inteiro e buscam resumos prontos, visando passar no vestibular.

Para o autor, a internet está sendo usada muito mais para banalidades do que para estudo ou pesquisa. Outro agravante: o jovem pula velozmente de galho em galho digital, numa hiperatividade em busca de informações que não contribuem para um conhecimento consistente.

A abundância de informações sobre o presente não permite que eles reflitam sobre o passado. “52% dos adolescentes americanos acham que a Alemanha foi aliada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial”. Estima que 80% deles não sabem que no Brasil se fala português.

Há também a “resistência de saber” sobre o fundamento das coisas e ao exercício de pensar a realidade. Os adolescentes hoje “vivem tentando arrebentar com a razão dos pais e dos professores”, diz o psicanalista Jorge Forbes. Há aqueles que inventam falsos argumentos para abandonar a escola ou negam o seu propósito para se dar bem na vida.

A professora deixou de ser um referencial para os jovens, sobretudo aqueles que querem ser como a atriz tal ou o jogador tal, porque o sucesso e riqueza parecem fruto do acaso e não de estudar.

Uma geração que ignora o valor do estudo, que não sabe ou se recusa a pensar pode ser massa de manobra dos totalitarismos de direita e de esquerda, sinalizou Hanna Arendt no pós 2ª Guerra. Situada “entre o passado e o futuro”a educação é imprescindível para que a civilização sobreviva. Bauerlein no seu estudo denuncia um fosso entre a geração nova de hoje e os pais, que é imprescindivel para a formação de sua personalidade.

O efeito do afastamento convivencial e comunicacional entre jovens e adultos pode estar gerando uma geração xucra, e pior: pronta para cometer atos de barbárie. Uma geração que não quer pensar, que vive fascinada pela realidade virtual e displicente para com a realidade dos acontecimentos é um perigo para a civilização.

Há jovens tão fascinados pelas imagens editoradas, que ficam decepcionados com paisagens “ao vivo”. Pior, eles podem chorar pela perda de uma celebridade que jamais viram ao vivo, mas podem ser insensíveis para com o seu ‘próximo’.

► Raymundo de Lima é Psicólogo, doutor de Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Extraído do jornal “O Diário de Maringá” em 25/06/2008 – http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/194527

Jovem, como te entender? Ajude-me!

Publicado por fernandogarcia em June 23, 2008

Salve, salve meus irmãos, tudo na paz?!
Neste sábado passado fui convidado a presidir uma missa na Paróquia São Jorge, em São Jorge do Ivaí, dentro das comemorações do Jublileu de Ouro daquela paróquia. Foi a missa do Jubileu da Juventude, que tinha como lema: “Jovens corajosos buscam o senhor”.
Após uma intensa divulgação, que incluía rádios e TVs católicas e comerciais, tínhamos grande espectativa de participação juvenil. A missa foi muito bem preparada, desde a ornamentação até os cantos.
Realmente foram muitos os jovens presentes, a participação litúrgica correspondeu às espectativas. Após a parte orante do Jubileu da Juventude, fomos todos convidados a ir para uma “balada santa” numa casa de show muito famosa na cidade e na região. Foi convidada uma banda católica (por sinal muito boa, oriunda da cidade de Jandaia do Sul) para que animasse a parte mais lúdica da festividade. Foi aí que surpreendi-me… onde foram todos aqueles jovens que estavam na Igreja?
Claro que houve uma boa participação dos jovens na festa do Jubileu do Jovens, contudo, não proporcional àquela na missa. Parece que após a missa boa parte foi embora, para casa ou outros lugares.
O que me intriga é pensar no que realmente o jovem de hoje quer, o que o agrada… Era um sábado a noite, estávamos num ambiente onde frequentemente “bomba” de jovens, tínhamos uma ótima banda que, sendo católica tocava músicas de conteúdo religioso em (quase) todos os ritmos, não havia outra festa concorrente na mesma data e horário nas proximidades, foi feita uma ótima divulgação, o ambiente da casa de shows estava moderno e adequado à situação, a entrada era free… o que mais os jovens queriam para estar lá presente?
Não fui embora muito tarde da festa, era pouco mais de 23hs. Passei em frente à praça da igreja, e as lanchonetes ferviam de jovens. Por que eles não foram à nossa festa? Usamos o local que eles gostam, as músicas no ritmo que eles gostam…
Louvo a Deus pelos jovens que estiveram conosco! Acredito que foram para casa, como eu, felizes por serem corajosos e seguirem Jesus Cristo. São jovens que não se rendem aos modismos da sociedade de consumo, livres da escravidão de uma vida social sem valores e limites. São jovens que acreditam na família, em amizade verdadeira, em justiça e paz.
Parabéns aos jovens da Paróquia São Jorge, são jovens como vocês que ajudam a Igreja ser mais jovem, porque são jovens dentro dela.
Um forte abraço a todos e muita paz no coração.
P.S.: Quem puder ajudar na reflexão pode deixar um comentário…. obrigado!

Sob o andor de Nossa Senhora do Rocio

Publicado por fernandogarcia em June 19, 2008

senhoradorocio.jpgSalve, salve meus irmãos, tudo em paz?!
É na graça de Deus que nós caminhamos, e é na graça de Deus que queremos ficar. E de graça de Deus Maria é especialista.
No último final de semana (14-15/06) pude participar da peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá, ela que é a padroeira do Paraná. Estivemos 06 ônibus, com a presença do arcebispo, D. Anuar, outros padres e pessoas de diversas paróquias da nossa diocese.
Nossa viagem foi uma peregrinação com Maria, rezando e cantando durante o trajeto. Quem conhece a descida para o mar sabe que, também louvamos a Deus pela criação… uma serra muito bonita! A chegada ao Santuário foi marcada pela boa recepção da equipe local e com o café da manhã. Nos agrupamos a outros romeiros do Paraná e de outros estados. Rezamos a missa com todos os peregrinos as 08h30, e em seguida participamos também da procissão com a imagem de Nossa Senhora do Rocio.
A imagem da procissão não era tão suntuosa, mas a o manto e a fé do povo em Maria eram grandes. A primeira observação era ver como as pessoas manifestam seu carinho por Maria. Elas olham para a imagem e contemplam algo que a supera, veêm algo que está para além da sensibilidade ocular. Percebi o amor que as pessoas têm em Nossa Senhora através dos gestos: o esforço para ficar embaixo do manto de Maria, que embora fosse grande, não era suficiente para todos, mesmo o aperto mostrava o querer colocar-se sob a proteção de Nossa Senhora; a voz rouca e às vezes trêmula quando cantavam mostrava um povo emocionado por encontrar Deus presente na vida de Maria; os olhos lacrimejantes de alguns revelavam a gratidão pela graça recebida, a confiança e esperança na intercessão de Nossa Senhora junto ao Pai. É maravilhoso!
Também eu queria experimentar mais do carinho de Nossa Senhora. Fui com todos, carreguei o andor de Nossa Senhora do Rocio, “disputando” espaço entre aqueles que queriam prestar algum serviço à Mãe de Deus. Uma fé emocionada tomou meus olhos, a voz e o coração. As pessoas, e também eu, queriam estar debaixo do andor, debaixo das flores somente. Queríamos não aparecer, mas levar Maria, o desejo era de conduzí-la a todas as pessoas do mundo, apresentá-la a todos os aflitos e abandonados, aos pobres e pecadores, apresentá-la como nossa Mãe.
Dá um sentimento de proteção ficar debaixo do andor, um sentimento de segurança em Deus. Ninguém se importa com o peso, o que sente-se é apenas fé, amor, nada mais. Não existem mais palavras para expressar um momento tão gostoso de encontro com Deus. Não é uma questão de explicar como foi… é uma questão de cada um fazer a sua própria experiência. Vale a pena!
Retornamos a Maringá agraciados. Nossa desejo agora é de partilha, é de anúncio, é de missão pelo Reino, porque foi assim que Nossa Senhora nos ensinou no Santuário. Ela que é a Senhora do Rocio, nos ajudou a amar mais o seu povo, especialmente os roceiros. Meu amor á Mãe de Deus aumentou, também minha fé foi enriquecida com a fé deste povo apaixonado por Maria.
Quem puder, vá ao Santuário do Rocio em Paranaguá. Nossa Senhora do Rocio: Rogai por nós!
Um forte abraço e muita paz no coração!

Entre razões e emoções, a saída é fazer valer a pena…

Publicado por fernandogarcia em June 11, 2008

Salve, salve meus irmãos, tudo em paz?!
Na graça de Deus vamos caminhando por aqui, entre desafios e alegrias, sempre para frente.
Na semana da ordenação pude curtir um pouco do clima gostoso e saudoso da época. No próprio dia 02 de junho, pude rezar uma missa de ação de graças na casa da minha família (porque em Nova Esperança a paróquia não lembrou… ahuahauha), e lá também agradeci a vida de minha mãe, que completa na mesma data, seu aniversário natalício. Alegria dupla!
Durante a semana, recebi o carinho dos amigos mais próximos. E assim fui afastando algumas sombras que rondavam…
Sábado pude participar da ordenação sacerdotal do Diác. Emerson. Foi ordenado padre na Paróquia São Miguel Arcanjo, em Maringá. Pude encontrar várias pessoas conhecidas e reviver esse momento bonito com o Diác. Emerson.
Já havia feito estágio pastoral na Par. São Miguel, e tenho muitos conhecidos lá. Como é bom encontrar pessoas que nós gostamos…
E a vida vai sendo vivida, experimentada, fazendo valer a pena cada minuto… fazendo cada situação ser única e extraindo dela a graça que Deus quer nos dar.
As sombras vão se abrindo… e o sol volta a frestar na vida…
Um grande abraço a todos e fiquem em paz!!!!

Um ano de sacerdócio!

Publicado por fernandogarcia em June 5, 2008

Salve, salve meus irmãos, tudo em paz?!
Neste último dia dois de junho comemorei meu primeiro ano como padre. Parece que foi ontem quando estive em retiro preparando-me para o grande momento. Parece que foi ontem quando estive hospedado na casa de D. Anuar para poder ir com ele à Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Maringá, onde seria ordenado. Parece que foi ontem que presidi a primeira missa. Quando lembro ainda sinto um certa ansiedade, mas é algo gostoso, como uma saudade daquele momento tão especial.
Após um ano posso olhar para trás e perceber toda uma caminhada feita. De acertos e equívocos, mas sempre com o desejo de acertar, aprender e crescer como pessoa, cristão e sacerdote. Foram muitas as novidades nesse ano. Quase tudo era a primeira vez: a primeira missa como padre, a primeira confissão, a primeira unção dos enfermos, o primeiro natal, o primeiro ano novo, a primeira páscoa, etc… Muita coisa para aprender a pensar como padre. Foi difícil acostumar como o pronome de tratamento “padre”… percebi que mesmo para meus paroquianos, ainda hoje, é difícil chamar um rapaz tão jovem de padre… a maioria chama-me de Fernando, mas têm o mesmo respeito. Confesso que ainda fico nervoso e com vergonha em algumas situações… uma certa timidez diante do público, especialmente nas missas ditas “mais solenes”.
Hoje percebo que amo mais a Jesus Cristo e o Reino de Deus, muito mais do que há um ano atrás. Hoje, quando rezo, sinto que minha oração tem mais conteúdo, é muito mais voltada à realidade e sinto mais intimidade com o Senhor.
Esse é somente o primeiro ano, com um ano estou apenas engatinhando como padre. Desejo muitos outros, tenho muito o que aprender. Hoje gostaria de apenas agradecer e louvar ao Senhor por este dom tão bonito: Obrigado Senhor, Pai, Filho e Espírito Santo.
Deus abençoe a todos e muita paz no coração!