Salve, salve meus imãos!!! Tudo na paz? Como estamos mudando o tempo litúrgico, resolvi escrever algo sobre o Tempo Comum, que retomaremos depois da Festa de Pentecostes.

O tempo pascal é um período muito rico em diversas dimensões: é antecipado por um “tempo forte”, que é a quaresma; as leituras falam mais sobre ressurreição, sobre a revelação; os símbolos litúrgicos são mais explícitos e chamativos (círio pascal, cor branca/dourada, flores, água batismal, luz, fogo). Contudo, o tempo litúrgico que vem em seguida também é riquíssimo em sentido, porém pouco valorizado. Esse tempo chama-se Tempo Comum, e começamos a vivê-lo depois do domingo de Pentecostes.

Não se podem contrapor os chamados “tempos fortes” ao Tempo Comum, como se este tempo fosse um tempo fraco ou inferior. O elemento principal e mais forte do Tempo Comum é o Domingo, logo, o Tempo Comum pode ser vivido como prolongamento do respectivo tempo forte. É o tecido concreto da vida normal do cristão, fora das festas, e pode ver-se nele a comemoração da presença de Cristo na vida quotidiana e nos momentos simples da vida dos cristãos.

Esse período usa a cor litúrgica verde, porque quer ajudar-nos a contemplar a esperança que não decepciona. Os textos bíblicos falam sempre do cotidiano de Jesus, daquilo que Ele fazia para revelar Deus no simples: numa refeição gostosa cercada de amigos, numa visita a um doente, numa festa de casamento, no abraço de uma criança, num simples olhar ao céu e uma breve oração. Os símbolos são mais discretos, porém, múltiplos, pode ser uma colcha de retalhos ou mesmo um cartaz.

O tempo comum é chamado assim porque é um convite a deixar Deus agir no nosso dia-a-dia. Enquanto muitas pessoas passam o dia em busca de milagres, atos extraordinários e valoriza pouco o simples, o Tempo Comum ajuda-nos olhar a ação divina na simplicidade do dia-a-dia, dos gestos humildes, no ordinário da vida.

O esforço pessoal de contemplar Deus no cotidiano abraça, sobretudo, nossa vida pessoal. Somos chamados a fazer como Jesus: buscar e revelar Deus em nós mesmos, na nossa família, nas refeições, nas festas, nas crianças, na oração antes de dormir. Por isso, a busca pelo sentido de cada coisa é um exercício cotidiano… e nisso já encontramos Deus!

Nosso desafio nesse tempo é vencer a rotina, evitar o marasmo da falta de criatividade. Reaprender a ver belo no simples. Queremos experimentá-lO em cada Palavra, em cada gesto, canto, abraço, oração. Para tal é preciso um encontro cotidiano e contínuo com Cristo, permanecendo com Ele durante todo o dia. Há uma música bem simples e popular que ajuda-nos: “Com Deus eu me deito, com Deus me levanto, na graça divina do Espírito Santo”.