Salve, salve meus queridos! Como estão? Tudo na paz? Como é aliviante poder partilhar com vocês minhas alegrias e esperanças, tristezas e decepções…

Na quinta-feira passada (13/03/2008) estive na visita semanal à cadeia. Estou tentando ficar mais tranquilo antes e durante a visita. Interessante como isso cria uma ansiedade em mim. É um misto de medo e im-pulso de ”visitar Jesus” (“Estive preso e não me visitaste”).  Não há como sentir-se calmo naquele ambiente… Talvez seja a falta de costume… mas como sentem-se quem trabalha ali? 

Chamei um dos internos para conversar. Pudemos ter alguns minutos de privacidade, e aí rezamos juntos. A mim foi uma experiência de Deus muito profunda. Naquele momento não importava o passado daquela pessoa, nem seus crimes, nem mesmo se era culpado ou não. prisao_maizumpomonte-thumb.jpgNaquele interno vi uma pessoa, um ser humano que merece atenção, ser ouvido, ser respeitado, ser amado; merece saber do amor e predileção de Deus por ele. A sede de Deus que ele demonstrou, a esperança/confiança numa libertação da cadeia e dos fantasmas do seu passado chamaram minha atenção. As lágrimas constantes daquele “marmanjo” expressaram a fraqueza de alguém que sempre achou que era forte. Foi aí que eu contemplei Jesus: no horto das oliveiras, manifestando medo diante do iminente; Jesus incompreendido diante da busca pela felicidade; Jesus chagado pelos erros dos homens. Foi aí que eu pude ver-me: preso nos meus medos, fraco na fé, com medo diante dos desafios da comunidade, necessitado da graça de Deus… mas com muita esperança/confiança na minha libertação e na libertação daquela pessoa que estava na minha frente.

Encerrei a visita muito contente. Mais tranquilo porque estou conhecendo os internos aos poucos e aprendendo a amá-los (ninguém ama o que não conhece!). Também mais feliz porque passei a conhecer-me um pouco mais. Confesso que sou bem limitado no que sei de mim mesmo.

No final de semana pude estar com o movimento Cristma num dos seus cursos de libertação. Fico encantado com as pessoas da coordenação do movimento. São pessoas que assumem publicamente suas mazelas para poder ajudar outros com problemas semelhantes ou piores (testemunho pessoal em público durante o curso). Não há nenhum “santo” entre eles, ao menos ainda não reconhecido publicamente… Mas chama minha atenção como eles se amam, se respeitam, são brincalhões uns com os outros. Ali vejo a festa da misericórdia de uns para com os outros. A partir deste ano sou o assessor diocesano deste movimento. Com certeza eles vão ajudar-me bem mais do que eu irei ajudá-los…

Estamos na Semana Santa. Como é rica a liturgia, não é verdade?! Todos os dias uma leitura mais bonita que a outra, as orações coleta e pós-comunhão (a oração após o convite: “Oremos” que o padre diz no começo da missa e após a comunhão) são profundíssimas de conteúdo teológico. Sinto-me encharcado da graça nesses dias. A Páscos aproxima-se e sinto como se uma panela de pressão estivesse a ponto de explodir… cheia de bênçãos sobre este povo de Deus. A Páscoa de Jesus venceu a morte… Maranatha - Vem Senhor Jesus - que queremos contigo ressuscitar! Aleluia!!!

Um forte abraço a todos… muita paz no coração e FELIZ PÁSCOA!!!