Salve Salve meus irmãos! Aqui mais uma vez na partilha de vida, dos desafios de um jovem padre.

Esses dias senti novamente que o descanso faz falta. Se no último artigo escrevi sobre o retorno às atividades do cotidano, hoje quer partilhar das possíveis consequências de um tal “ativismo”. Na dinâmica do cotidiano, pensei que aguentava o ritmo pesado do calendário. Não foi assim. Nos propósitos quaresmais acrescentei que iria reservar um momento de oração a mais, todos os dias (confesso que nem sempre estava fazendo isso); escolhi o período da manhã para esse encontro. Significa que estou tendo que acordar mais cedo para poder dar conta dos compromissos matutinos. Sou um ser biologicamente mais noturno, tenho ido dormir tarde, e, logo, não descansado suficientemente para repor energias. Consequências: dor de cabeça, músculos retraídos, mau humor, sensibilidade excessiva.

Essa semana senti que o esquema assumido não é adequado e suficiente para o mais importante: amar. De que adianta levantar mais cedo, rezar ao Senhor, se durante o dia estou mal-humorado e não expresso meu amor às pessoas, imagem e semelhança de Deus, de um modo especial. É preciso rever os horários e re-educar o organismo. Afinal, é lei da teologia que a graça supõe a natureza, então, o físico tem que estar bem para poder acolher a graça de Deus. Vou tentar dormir mais cedo e amar mais.

Sobre amar, encontrei uma frase linda essa semana, infelizmente não me lembro. Mas ela dizia para colocar o coração na mão ao cumprimentar as pessoas. Como aqui na paróquia tenho o costume de, antes das missas, ficar à porta acolhendo as pessoas, serviu-me muito bem! Nesses dias, ao cumprimentar as pessoas, pensei no Sagrado Coração de Jesus. Ao apertar a mão das pessoas, apertava-as como quem entrega um coração, como quem “macha” a mão da pessoa com o sangue do Coração de Jesus, para que a pessoa, ao sair, saia com a mão marcada por Ele.

coracao.JPGEntregar o coração às pessoas só é possível quando somos donos do nosso próprio coração. Só se pode dar aquilo que se tem. Meu coração ainda é jovem e atribulado pelas intempéries da juventude, mas desejoso de Deus, sedento do Senhor e cheio de vontade de partilha. Quisera eu, não somente entregar o Coração de Jesus, mas poder colocar cada pessoa dentro Dele. Na oração consigo, e é somente aí que também eu sinto-me completo, com coração indiviso e consagrado a ELe.

 É um desafio esse amadurecimento da constância espiritual. “Minha alma te procura, Senhor, e somente descansa, quando respousar em Ti.” (Santo Agostinho)

Um forte abraço e muita paz no coração de todos…