Nesses dias que precedem o Natal, temos intensificado o atendimento e confissões aqui na paróquia e na Região Pastoral. Numa das conversas chamou minha atenção essa frase: “Cansei dessa vida que não vive”. Frase profunda, um desabafo, uma expressão de angústia diante de uma realidade complexa.

Depois me perguntava o que realmente significa uma vida onde não se vive. E percebi que muitas pessoas estão se sentindo assim hoje. Especialmente nessa época em que o Natal mexe com o sentimento das pessoas, deixa elas mais sensíveis, o afloramento desse tipo de “auto-análise” não é tão incomum. As causas são pluriformes e também mutantes, não cabe no momento uma análise sociológica, mas todos as percebemos …

As pessoas querem bem mais que um emprego com salário bom e um carro na garagem. Esse sonho tão comum está matando muita gente. Matando de depressão. Tanto em homem como em mulheres, tanto em jovens como idosos, tanto em pobres como em ricos… Há muita gente cansada dessa vida que não vive.

A vida que não vive é uma vida frustrada. Uma vida perdida nos descaminhos do viver. Opções equivocadas, precipitadas, egoístas, alienadas… uma vida sem sentido… uma vida sem Deus… Taí…. uma vida que não vive é uma vida sem A VIDA.

Deus é o sentido e o fundamento da nossa vida. Quando perdemos isso de vista nós não vivemos… vegetamos. A vida em Deus é a vida da fé comprometida, da alegria, do compromisso, da solidariedade, da festa! E por isso mesmo elá é intensa e vivida profundamente cada instante. Ele mesmo nos disse que veio para que “todos tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10,10). Então, por que não acolher tudo isso que Ele está disposto a nos dar?! Não entendo como algumas pessoas, mesmo sabendo disso, ainda escolhem ficarem longe de Deus… e ter uma vida “momentânea”.

Admira-me também perceber como isso está presente na Igreja. Pessoas “de dentro” sentem-se também angustiadas. E como algumas vivem num círculo vicioso de sofrimento. Parece que gostam disso (sic). De qualquer forma, temos que repensar ou reconstruir muito do nosso modo de evangelização.  O que temos hoje nem sempre tem levado a uma EXPERIÊNCIA de vida em Deus. Talvez por isso a opção por Deus tenha sido parcial e por isso tenha, por consequência, uma vida que não vive. Talvez por isso algumas lideranças se cansam tão rápido, ou se sintam tão frágeis diante dos problemas ou tenham tanto medo de ir mais além. Como pode alguém que participa de grupos, que reza todos os dias, que está constantemente com Deus e em Deus, se sentir só? Alguma coisa precisa ser pensada…

Bem dizia um teólogo chamado Karl Hanner: “O cristão do século XXI, ou será um místico, ou não será nada”. vida-meditacao.jpg

Forte abraço a todos e fiquem em paz… ah… e deixem o que vocês pensam sobre isso aí nos comentários…. inté +!