Da amizade à fé
Sem Categoria Novembro 7, 2007Hoje como sempre foi um dia cheio de atividades, graças a Deus. Na parte da manhã pude rezar a missa com os alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus, aqui de Nova Esperança. Em seguida atendi as confissões de alguns dos estudantes. Fiquei surpreso com a consciência de pecado de alguns deles. Foram confissões muito bem feitas, rasgando o coração e acolhendo com amor a misericórdia incondicional de Deus. Após a recepção do sacramento, um deles disse-me que pela primeira vez se sentiu à vontade para conversar porque se identificou com o padre, que o padre era jovem e com certeza entendia melhor seus anseios de juventude. Fiquei “orgulhoso” pelo elogio, embora me senti indigno de tanto. A maioria pediu para voltar mais vezes e mostrou interesse em manter algum contato eclesial, e também de amizade, através de visita nas casas, e-mail, telefonemas, etc. Que bom! E isso partiu deles.
Mais à tarde, num outro momento informal do cotidiano, tive contato com outro jovem que se mostrou surpreso por ver um padre fazendo academia. Ele disse que era muito bom saber que o padre é alguém “normal”, que também faz outras coisas além de viver “enfiado dentro da igreja”. Encheu-me de perguntas sobre vida de padre, e o tempo do treino passou sem percebermos. Uma conversa tão agradável que ele quis estender. Infelizmente não foi possível porque eu tinha missa às 20hs numa das nossas 23 capelas. Mas antes de ir embora, perguntei a ele sobre sua vida de fé, e ele me disse que não tinha feito sequer a primeira eucaristia. Imediatamente mostrou forte interesse em ingressar na catequese de adultos, ainda que tenha vergonha. Parece que ele acha que catequese é coisa de criança… Comprometi-me em ingressá-lo na preparação de adultos. E este não foi o primeiro conquistado na academia… já é a décima primeira pessoa resgatada na fé a partir de uma conversa informal, somente na academia.
Isso tudo foi uma descoberta que estou fazendo nestes primeiros meses de padre. Como é importante valorizar as pessoas como elas são, no lugar onde elas se encontram. Ainda que anonimamente aquele jovem da academia confirmou que primeiro se ganha as pessoas pela amizade, pela identificação, depois pela fé. Confesso que muitas vezes eu pensava que a evangelização se dava por meio de cobranças, como se as pessoas que não estivesse de um modo “regular” na Igreja estivessem em débito para com ela. Percebi que Jesus fazia propostas. Ninguém é obrigado a seguir Jesus. Ele conquistava as pessoas pelo jeito acolhedor e amoroso que tinha. Conquistar as pessoas para o seguimento de Jesus Cristo é mais fácil e coerente com o Evangelho quando nós damos as nossas mãos com um aperto, e não quando apresentamos as mãos apontando os dedos condenatórios… Deus nos ajude a sermos mais amigos e fraternos a exemplo Cristo e de São Paulo, seguido de Cristo, que disse: “Entre os gregos fiz-me grego, para ganhar o maior número possível.”
Fiquem todos em paz! Fraterno abraço do seu amigo internauta……..
Novembro 17, 2007 as 11:15
Legal Pe. Fernando!!!
Parabéns pela sua atividade como Pe. e pessoal normal que é…” sentir cansanço , mal humor e….”. Gostei muito de seus artigos, muito bom… Importante valorizar as pessoas como elas são, no lugar onde se encontrar. Com certeza uma maneira de evangelizar com grande poder. Gosto muito das palavras de São Paulo( um discípulo que tenho grande admiração e gosto muito de ler as cartas dele escrita as comunidades) e esse versículo “… entre gregos fiz me grego, para ganhar o maior número possível de grego…”
Parabéns , que Deus te abençõe em sua caminhada.
abçs
Rosinéia (N.Esperança)