Berçário de Deus
Novembro 3, 2007No último dia 02 de novembro foi a primeira vez que celebrei como padre o dia dos fiéis falecidos (neste dia completei 5 meses de padre). Tive a oportunidade de rezar a missa com a Paróquia Mãe de Deus, na cidade de Presidente Castelo Branco, próximo a Nova Esperança uns 15kM. Percebi primeiro que fiquei meio constrangido por não
saber como rezar a missa, se mudava alguma coisa, sobre o que falar para poder oferecer palavras de consolo e esperança ao povo. Mas, após um estudo do Missal, vi que não muda quase nada no ritual da missa, e fiquei mais tranquilo. Percebi também as pessoas no cemitério municipal, onde rezamos a missa. Pairava no ar um clima de fé, bem mais vigoroso do que nos outros dias. As pessoas pareciam mais comovidas e dispostas a rezar. As respostas à missa eram fortes e convictas. Nem mesmo o clima chuvoso do dia interferiu na vontade das pessoas em se encontrar com Deus.
Senti-me mais animado e também encontrei consolo no olhar carinhoso das pessoas. Ao contrário do que eu, inesperiente padre, imaginava, as pessoas têm clareza acerca da ressurreição. Dava para perceber pelas conversas no final da missa. Não estavam tristes, estavam mais respeitosas e mesmo assim havia sorriso no rosto de muitas delas. Aí entendi: SAUDADE SIM, TRISTEZA NÃO! Ainda que alguns chorassem a ausência de seus familiares e amigos, era um choro de saudade, mas a esperança-certeza do reencontro futuro era certa. Não precisavam entender de teologia, de escatologia, saber da doutrina da ressurreição. Elas simplesmente acreditavam e confiavam em Deus. Senti isso nos abraços apertados, nas lágrimas que vi no canto dos olhos, no cuidado com as flores depositas no túmulo. No final da missa, disse confiante a eles que tinha ficado muito contente de rezar naquele local, porque naquele dia tinha entendido que o cemitério na verdade é um lugar de vida, não de morte. Entendi que lá, na verdade, é o berçário de Deus. Lá é o “lugar” simbólico onde estão aqueles que nasceram definitivamente para uma vida em Deus, para Deus e com Deus. Depois desse nascimento definitivo em Deus, ele mesmo os resgata no seu “berço”, e cuida de cada um nos Seus braços de Pai. Obrigado comunidade de Castelo Branco, vocês me ajudaram a ter mais fé na ressurreição. Vivendo, morrendo, e aprendendo…
Novembro 3, 2007 as 13:40
Belo texto!
Novembro 5, 2007 as 10:14
Oi. Pe. Fernando. Obrigada pelo artigo. Que bom descobrirmos coisas novos. este artigop serviu para uma boa reflexão. Que Deus o Abençõe sempre. No coração de Jesus. Lucilene.
Novembro 7, 2007 as 10:14
Olá padre Fernando!
Muito profundo a crônica que escreveu sobre o fiéis defuntos. Senti a morte tão leve, tão humana…. Parabéns…. Deus abençõe!
Pe. Marcos Roberto
Dezembro 9, 2007 as 1:59
I’d prefer reading in my native language, because my knowledge of your languange is no so well. But it was interesting!