Entrevista com o arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti, feita pela Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Maringá
1 – Dom Anuar, quais pontos que o senhor destacaria ao fazer uma avaliação de como foi a Assembléia dos Bispos de 2010, em Brasília?
Em primeiro lugar destaco a organização, que foi impecável em todos os sentidos. Apesar da diversidade de estilos, de idade e da realidade tão diferente na qual trabalhamos, um aspecto marcante foi a unidade e a profunda comunhão com que tratamos todos os assuntos. A garantia do sucesso dos trabalhos foi sustentada pela oração e a Eucaristia diária.
Destaco também as várias mensagens e notas de esclarecimento, de maneira especial sobre o ano eleitoral, o tema da Palavra de Deus como animação de toda a Ação Evangelizadora. A mensagem para as pequenas comunidades, as CEBs, como caminho para ser Igreja hoje, e a mensagem para os Presbíteros foram cuidadosamente elaboradas pela Assembleia.
Também a aprovação das Diretrizes para a Formação Presbiteral no Brasil e a avaliação do PNDH-3 ocuparam grande atenção do plenário. Ao lado destas manifestações concretas, destaco a celebração ecumênica e a presença de irmãos haitianos relatando os programas de reconstrução do país.
2 – Os escândalos envolvendo alguns membros do clero divulgados recentemente repercutiram de que forma na Assembleia?
Isso foi tratado como um dos temas preocupantes e levou a Assembleia a uma reflexão séria, assumindo juntos as normas canônica e civis no tratamento desta questão que arranhou a imagem do Igreja e dos presbíteros do mundo todo. Ressaltamos a necessidade de uma formação cada vez mais séria nos seminários começando por uma seleção rígida dos candidatos ao sacerdócio e uma formação e acompanhamento permanentes dos presbíteros.
É sem dúvida uma faze escura que atravessamos, porém temos a certeza de que a Igreja é de Jesus Cristo, por isso é Santa. Ao mesmo tempo conduzida por homens que carregam em si todas as limitações próprias de seres humanos, porém não podemos nos conformar com esse mundo imundo.
3 – A partir das diretrizes discutidas na Assembleia Geral, algo prático deve acontecer de imediato na Arquidiocese de Maringá?
De imediato já está acontecendo a organização das paróquias em pequenos grupos de reflexão e CEBs, através do subsídio “Ninguém cresce sozinho”. Serão vinte e três mil exemplares distribuídos na Arquidiocese para esta primeira etapa de formação, reflexão e oração em grupos. A renovação da paróquia começa com a formação de nossos fieis no caminho do conhecimento das bases da nossa fé.
Também está acontecendo, e agora mais fortalecido, o trabalho da catequese como processo de formação permanente para a vida e o testemunho, e não só para os sacramentos. A Assembleia ofereceu muitas indicações práticas em vários setores da vida de nossas dioceses que serão levadas à prática durante a caminhada.
Por Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Maringá
