O analista Riccardo Cascioli, relendo a mensagem do Papa, faz as seguintes considerações: “Uma educação voltada para uma “ampla e aprofundada responsabilidade ecológica” baseia-se no “respeito ao homem e a seus direitos e deveres fundamentais”.
Assim o Papa retomou a questão do respeito à criação, segundo ele, essencial para a paz, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, em primeiro de janeiro. Trata-se de uma homilia muito importante, porque o Papa explicita, de maneira muito clara, as bases que devem fundamentar a ecologia humana. “Não é possível” – diz o Papa – “nutrir um respeito verdadeiro pelo meio ambiente sem que saibamos reconhecer no cosmos os reflexos da face invisível do Criador”.
O mistério da face de Deus e do homem é o horizonte no qual o Papa aborda a questão ambiental. “O homem é capaz de respeitar as criaturas – afirma Bento XVI – na medida em que carrega em seu próprio espírito um sentimento pleno de vida; caso contrário será levado a desprezar a si mesmo e tudo aquilo que o rodeia, a não ter respeito pelo ambiente em que vive ou pela criação”.
Há, assim, uma relação estreita entre o respeito ao homem e a proteção ao meio ambiente: “se o homem se degrada, degrada-se o ambiente em que vive; se a cultura se volta em direção ao niilismo, ainda que não teórico mas prático, a natureza pagará as conseqüências”.
Paradoxalmente, portanto, para atingir o âmago dos problemas ambientais, é preciso ter em mente que sua solução não passa por uma leitura aprofundada destes problemas, mas sim pelo aprofundamento da questão humana, do valor que cada um de nós dá à vida. E mais: pelo reconhecimento de que Deus habita nossos corações, para usar uma expressão do Papa.
“Quanto mais somos habitados por Deus, e quanto mais formos sensíveis também à Sua presença naquilo que nos rodeia: em todas as criaturas, em especial nos demais homens”.O homem é único, dentre todas as criaturas, por ser capaz de tal perspectiva e de tal reflexão.
Por isso, a maneira pela qual a Igreja aborda os problemas ambientais é radicalmente diferente, até mesmo oposta, a dos movimentos ambientalistas: “Se o Magistério da Igreja – escreve o Papa em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz – exprime perplexidade diante de uma concepção de ambiente inspirada pelo ecocentrismo e pelo biocentrismo, é porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os demais seres vivos.
Desse modo, elimina-se de fato a identidade e o papel especiais do homem, favorecendo uma visão igualitarista da “dignidade” de todos os seres vivos. Dá-se espaço, assim, a um novo panteísmo, com características neopagãs, que pretende derivar, da natureza por si mesma, entendida no sentido puramente naturalístico, a salvação do homem”. (Fonte ZENIT do dia 06 de janeiro 2010)
Acrescento que: Somente teremos paz na medida que consideremos a pessoa humana na sua integridade,como criatura criada à imagem e semelhança de Deus, com seus valores humanos e espirituais , amados e defendidos. Por isso que a campanha da fraternidade de 2009 escolheu como tema:” A paz é fruto da Justiça”.
Dom Anuar Battisti é arcebispo metropolitano de Maringá

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Comment by rita — 4/02/2010 @ 8:12