Don Anuar
Maringá, 21 de de 2010

Os Bispos também fazem férias

January 28th, 2010

Em várias ocasiões me perguntaram, se os bispos também fazem férias. Como criaturas humanas, sujeitos a todas as leis e limites humanos, precisamos também dar um tempo para refazer as forças físicas e espirituais. Cada qual se adapta às suas possibilidades e gostos pessoais. Pessoalmente, tenho o privilégio de curtir dez dias de férias com um grupo de bispos, com os quais partilhamos não só o mesmo ministério, mas também a mesma mística.

Esse grupo existe já há mais de vinte anos; eu entrei para fazer parte há onze anos, desde que fui ordenado como pastor da igreja em Toledo. Disse ser um privilégio, porque é diferente descansar sozinho, ou dentro de um grupo que apesar das diferenças, a começar pela idade, nos queremos bem.

Nós reservamos quinze dias por ano, e cada um se organiza para permanecer no local escolhido quantos dias desejar. Temos um lugar quase reservado em Vitória, Espírito Santo, na praia Ponta da Fruta, onde uma família hospeda padres, bispos, famílias, enfim uma pousada, simples agradável, à beira mar, cuidada pela simpática e sempre alegre Dona Lilia, que este ano completou oitenta anos.

Nos sentimos em casa, na simplicidade de família, sem cerimônia e muito menos protocolo, cada um tem o seu espaço e sua liberdade de ir e vir. Com a culinária da dona da casa, ajudada por Dona Carmen e Cidinha, duas mulheres alegres e serviçais, passamos os dias deliciando o cardápio capixaba, nordestino e até italiano na bela macarronada com frutos do mar. Na mesa não poderia faltar uma taça do bom vinho ou um copo de cerveja.

Nesse ambiente de amizade e descontração, o dia começa com aqueles que às seis horas já estão caminhando na praia para contemplar o nascer do sol, até aqueles que despertam às dez horas para o café da manhã. Como grupo estabelecemos dois horários comuns a todos, para que as férias fossem também momentos para abastecer a fé e enriquecer a experiência pessoal ouvindo as experiências dos outros.

Assim, no final da manhã, uma hora e meia de meditação e reflexão; no final da tarde troca de experiências e a Eucaristia. No dia a dia, não falta uma boa leitura, uma roda de chimarrão, mesmo para os nordestinos, uma canastrinha para quem gosta e até apresentação de mágicas apresentadas por Dom Hélio Rubert de Santa Maria.

Nestes dias tivemos a oportunidade de celebrar com a comunidade local, uma pequena comunidade, porém viva e dinâmica, que em uma bela noite vieram retribuir a nossa visita, com músicas e alguns petiscos. Também como peregrinos, fomos ao santuário de Nossa Senhora da Penha, lugar místico, primeiro santuário do Brasil, construído em 1530 e que passou por várias fases até o modelo atual. É conhecido como convento, pregado no topo de uma rocha a 600 metros de altura, do nível do mar.

É um lugar simples, pequeno, mas repleto de fé e esperança de inúmeros peregrinos que diariamente galgam lentamente os íngremes degraus para orar e depositar ali os seus pedidos e agradecimentos, nas mãos da mãe, Nossa Senhora da Penha, para que ela apresente a seu Filho Jesus. Nestes dias de férias e nestes ambientes, senti uma profunda integração entre o divino e o humano, fazendo de cada dia um respiro novo em busca de ser melhor para servir melhor o povo que Deus me confiou. Para mim, férias como estas, não posso perder, porque seria perder um pedaço do paraíso. Os Bispos também fazem férias.

Dom Anuar Battisti é arcebispo metropolitano de Maringá-PR

Padre Eduardo da Século 21 estará em Maringá no carnaval

January 28th, 2010

Alegrai-vos no Senhor ( Filipenses 4,4).

Padre Eduardo Dougherty, fundador da TV Século 21 estará em Maringá no dia 14 de fevereiro de 2010, domingo de carnaval. Ele irá fazer pregações durante a Tarde de Louvor promovida pela TV 3º Milênio, Arquidiocese de Maringá, a partir das 14h no auditório Dona Guilhermina. Santa Missa às 16h.

A palavra importante na sua vida*

January 28th, 2010

Dom Anuar BattistiEstamos concluindo o primeiro mês do novo ano, iniciando o segundo em clima de quem curtiu férias, de quem viajou, passeou, e até de quem precisou continuar a lida diária sem muita folga. Tudo e sempre com o olhar no futuro, sem esquecer que temos os pés no momento presente. Assim, a palavra que não pode faltar em qualquer situação é o verbo “recomeçar”.

Recomeçar sem esquecer a história, uma vida vivida do jeito de cada um, com as pessoas que partilham conosco o mesmo caminho. Por isso, o caminho é marcado por momentos que fazem crescer, como também por percalços impensáveis, porém, reais.

Agora, sem querer consertar o passado, devemos estar dispostos a assumir o presente como ele é, com todas as suas exigências, partir para a novidade de cada dia como se fosse o primeiro dia da vida. Lá para trás ficaram as férias, os parentes, as coisas bonitas e agradáveis, também os desencontros e desajustes da convivência. Lá atrás ficou o que fizemos, como fizemos. Enfim, foi o que foi, agora se trata de recomeçar.

Assim tudo toma um ar diferente, um gosto diferente, um sabor “de quero mais”. Quando o desapego do passado é uma realidade, respiramos com dois pulmões e oxigenamos o cérebro e o coração não acelera.

Por isso, que o nosso Mestre recomenda: “Quem quiser ser meu seguidor, toma a sua cruz cada dia, e siga-me”. A cruz é sempre nova porque novo é cada dia. Pode ser a mesma de ontem, porém revestida da novidade de quem sabe recomeçar sem olhar para trás. Como cada momento é novo, a cruz é nova, o amor de Deus por nós é novo. O Pai Deus nunca se repete no amor.

Tudo se transforma quando a cruz de cada um, seja ela qual for, é carregada não como peso, mas como oportunidade de crescer e ser melhores. Ela não é tropeço, é sim trampolim. O segredo está em saber recomeçar sempre, como quem quebrou a melhor taça de cristal, herança do tataravô, e constata que chorar é perder tempo, e só faz aumentar o estresse.

Acredito que este é o segredo, a palavra não pode faltar neste recomeço de atividades, de volta às aulas, de rotina diária em meio à agenda repleta e quase sufocante dos compromissos: “recomeçar”. Vale sim e sempre valerá, manter o equilíbrio e lembrar que o único absoluto é Deus. Então, ao lado da sua capacidade pessoal de recomeçar sempre, não se esqueça da força indispensável que é a humildade de filhos em dobrar os joelhos diante do Pai Deus e ali colocar tudo em suas mãos.

Orar e orar, sem se cansar, é a fonte inesgotável de bençãos de quem nos ama incondicionalmente. Faça isso e viverá, você e sua família. Diante de tantos momentos difíceis em nós e no mundo, não temos outra saída a não ser orar recomeçando e recomeçar orando.

Nunca se desespere, não vá pelo caminho do “tudo está perdido”, deixe-se invadir pela graça de ser filho amado de um Pai Deus que é amor e que nunca deixa faltar nada, mesmo na hora do sofrimento e da dor. Nosso Deus é um Deus que participa em tudo e em todos, não fica alheio a nada, por isso nos ama com um amor misericordioso, infinito.

Ai daquele que não leva em seu coração um Pai Deus, que acolhe sempre sem olhar o ontem, dando a cada momento a graça de recomeçar. Assim, o caminho será sempre novo, porque novo é o amor do Pai Deus por você.

*Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá

“Está aberta uma nova era: a da evangelização na Internet”, afirma o papa Bento XVI

January 26th, 2010

Por CNBB

O Pontífice destacou ao anuncia a mensagem para o 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Bento XVI convocou toda a Igreja a olhar a Rede Mundial de Computadores com entusiasmo, audácia e exortando os sacerdotes a navegar na Internet, participar de redes de relacionamento e levar a Palavra de Deus ao grande “continente digital”.

Ressalvando os limites das novas mídias, na mensagem “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos meios a serviço da Palavra”, Bento XVI dá o seu “juízo positivo” do mundo digital.

Segundo o presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, dom Cláudio Maria Celli, o papa aconselha os padres a serem partícipes, “dando alma ao fluxo comunicativo da rede e alcançando os não-crentes”.

“Apesar de dirigida principalmente aos sacerdotes – a quem o papa está dedicando um Ano – a mensagem quer envolver também os leigos, numa espécie de ‘diaconia da cultura digital’, chamados, cada um em seu papel, a testemunhar a Palavra”, explica dom Celli.

Enfim, “a rede Internet não é apenas um espaço a ser ocupado, e os responsáveis pelos processos de comunicação devem promover uma cultura de respeito pela dignidade e o valor da pessoa humana” – reza a mensagem.

Rezar, pensar, mas não esquecer do Haiti

January 21st, 2010

Tocados pela triste e chocante realidade do povo Haitiano depois do inesperado e violento terremoto que não só destruiu a capital Porto Príncipe, mas matou milhares de seres humanos, entre eles a nossa querida Zilda Arns, o mundo todo tem demonstrado uma solidariedade impressionante, capaz de unir todas as nações no mesmo sentimento. Acabaram-se, ainda que momentaneamente, até as diferenças políticas de alguns países. Toda essa sensibilidade humana, que levou a inúmeras iniciativas, não pode acabar tão cedo.

O país, que já estava entre aqueles com a maior população vivendo abaixo do nível da pobreza, agora certamente nem classificação social possui. Mas se mantém vivo através das demonstrações de solidariedade que tentam reconstruir a parte material e, principalmente a dignidade do povo haitiano. Essa missão não será possível em dois ou três anos também para nós igreja latinoamericana. Por isso, a nossa ajuda não deve se resumir em uma coleta de fim de semana ou uma oferta minguada neste momento de comoção. Alguém pode dizer que nós devemos resolver os nossos problemas, mas, com certeza, neste momento, os nossos problemas não têm nem comparação com um desastre desta proporção. Precisamos nos mobilizar!

A cada dia, as notícias que chegam nos emocionam e despertam em nós o desejo de ajudar a resolver logo isso, para não mais ver as cenas de desespero diante da fome e da falta de perspectiva daqueles que sobreviveram a essa tragédia. Mesmo antes do terremoto, o Brasil já estava participando, junto com as Nações Unidas, de uma missão humanitária no Haiti para promover a paz naquele país, através do envio de pessoas, recursos materiais, ajuda médica e assistencial. E foi com esse propósito de oferecer meios concretos para salvar vidas, que a Dra. Zilda Arns, à frente da Pastoral da Criança, se motivou a visitar várias vezes o Haiti e ali aplicar sua experiência que deu certo no Brasil e em mais de 20 países da América e da África.

Movida pelo amor à vida e, de maneira especial, à vida dos mais necessitados, Dra. Zilda Arns era vista como a mártir dos miseráveis. A Pastoral da Criança é a ação mais concreta da opção pelos pobres, dizia Dom Geraldo Lírio, presidente da CNBB, na missa de corpo presente em Curitiba. Essa Pastoral, junto com a Pastoral da Pessoa Idosa, é hoje o testemunho vivo de quem nunca pensou em si mesma, nunca buscou prestígio, nunca quis os primeiros lugares, mas sempre pensou na defesa da vida, desde o ventre materno até a morte natural. Como dizia o seu irmão, o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, “morreu como viveu, servindo os mais pobres”.

Muitos não conheciam a verdadeira Dra. Zilda Arns. Sabíamos do seu trabalho, conhecíamos a sua garra, tínhamos nas mãos todos os anos as estatísticas que ela mesma distribuía nas Assembléias dos Bispos, mas não sabíamos da grandeza desta mulher e da importância que ela tinha no cenário nacional e internacional. Recebi um telefonema na semana passada dizendo: “Dom Anuar, essa mulher precisa ser beatificada”.

Certamente vai chegar a hora, mas independente disso, ela já é o modelo de vida e patrona de todas as líderes, voluntárias e voluntários, e das milhares de crianças salvas através da Pastoral da Criança. Ficam gravadas em nós as suas últimas palavras: “Como os pássaros que cuidam dos seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe dos predadores, das ameaças e dos perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar dos nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los”. Não nos esqueçamos do Haiti, muito menos de suas crianças!

Dom Anuar Battisti é arcebispo de Maringá

Dom Anuar Battisti é Arcebispo Metropolitano de Maringá

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