Don Anuar
Maringá, 08 de de 2010

EXISTE UMA DOR SEMELHANTE?

June 18th, 2009

EXISTE UMA DOR SEMELHANTE?

Como em outras ocasiões, acompanhei na semana passada, uma família que repentinamente, perdeu a primeira filhinha, a primeira neta, a primeira bisneta, de apenas sete meses. Uma experiência que corta o coração, por um sentimento que nenhuma razão humana pode explicar. Para os pais, que colhiam o fruto do amor cultivado há anos e viam a Laurinha que se tornava, cada dia, mais linda e alegre, que a cada momento se tornava a razão do viver, que não viam a hora para voltar do trabalho e poder brincar, rir, fazer careta, ter nos braços aquela criaturinha tão frágil, mas tremendamente carregada de afeto e alegria sem medida. Tudo terminou de repente. Inexplicavelmente ela dormiu e dormindo partiu para o paraíso. Como disse a avó: Deus queria ela pertinho dele e não de nós.
Com certeza, não é a primeira e nem será a última criança a deixar o lar, nestas ou em outras situações semelhantes. Diariamente, vemos fatos desta natureza, marcando por toda a vida uma distância infinita, deixando marcar de saudades que só o tempo pode curar, ficando para sempre uma cicatriz de boas e inesquecíveis lembranças. Um tempo que pode durar muito tempo, dependendo do tempo que se tem para encontrar em Deus a melhor saída. As dores e os sofrimentos, causados pela separação definitiva dos entes queridos, só encontrarão o verdadeiro analgésico, se depositados na cruz do Senhor, cuja vida verdadeira foi alcançada pela cruz assumida e carregada até o fim. Não existe outra solução para vencer as espadas de dor transpassadas no coração, a não ser aceitando-as como nossa e carregando-as com a força da fé no Senhor que também gritou: “Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste”?(MT 27,46) “Pai se for possível afasta de mim este cálice, porém não se faça a minha e sim a tua vontade”.(MT 26,39)
Na aceitação das cruzes que Deus nos coloca, em momentos totalmente inesperados, encontramos o caminho para ver mais longe e descobrir neste emaranhado de sentimentos, o rosto amoroso do Pai-Deus. Assim a vida não é um jogo onde só ganhamos, mas aprendemos a perder e perder pesado, a fim de encontrar o verdadeiro sentido da vida. Por isso, diz o nosso Mestre: “Quem quiser ser meu discípulo tome a sua cruz cada dia e siga-me”.(Lc 9,23). “pois o meu jugo é suave e meu peso é leve”(MT 11,30). Essa experiência eu vi, no rosto desta família, que mesmo chorando, lamentando, não se desesperaram em nenhum momento. Como é diferente, quando se vive na fé e pela fé. Como é diferente, quando se tem uma experiência de proximidade com Deus, cultivada na oração e na prática das palavras do Messias, Senhor e Rei de nossas vidas.
Assim, concluo com um pensamento de Madre Tereza de Calcutá: “Sempre tenhas presente que a pele enruga, o cabelo torna-se branco, os dias convertem-se em anos….mas o importante não muda: tua força e convicção não tem idade. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida. Atrás de cada sucesso, há outro desafio. Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo. Se sentes falta do que fazias, volta a fazê-lo. Não vivas de fotos amareladas…Continua, ainda que todos esperem que abandones. Não deixe que oxide a fé que existe em ti. Faz com que, em vez de piedade, te tenham respeito. Quando não puderes mais correr, caminha. Quando não puderes mais caminhar, apóia-te em uma bengala. Mas nunca pare”.

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

1 Comentario »

  1. Obrigada Dom Anuar por suas palavras, sempre de luz, de esperança. Que faz com nos apoiamos e continuamos firmes em nossa missão.

    Comment by Maria Regina — 28/07/2009 @ 21:17

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