SOU “PAI BANANA”, PRESENTE OU AUSENTE
Essa expressão eu ouvi de um pai de família, que tem um alto grau de instrução e formação. Com sua esposa e seus dois filhos vive bem, e com certa harmonia em casa, porém o sentimento que invade o seu coração é de um pai que perdeu a autoridade diante dos filhos adolescentes. O sentir-se “banana” revela que a última palavra não é dele, pai e esposo, e sim, dos filhos. O falar, o orientar, o admoestar, o pedir, não passam de palavras sem sentido para o interlocutor, que neste momento são os próprios filhos. Entendi que a figura do pai, naquela família era mais um provedor das necessidades físicas do que um amigo, um companheiro, uma autoridade a indicar caminhos novos.
Quem sabe esse seja o sentimento de muitos outros, que no relacionamento familiar, perderam o lugar de referência; passaram a ser apenas uma figura que tanto faz estar presente ou ausente. Na missão de ser pai, em nenhum momento e por nenhuma circunstância, o pai pode deixar cair a sua autoridade característica de quem escolheu uma esposa para juntos formarem um lar. Longe pensar em autoritarismo, dominação, mesmo que às vezes seja necessário determinados posicionamentos bem definidos. Os limites fazem crescer desde o berço; não é atendendo todas as necessidades e desejos que se faz valer o amor e o carinho. As podas doem e a dor educa. Quem nunca sofreu, nunca vai aprender e aceitar as perdas, será sempre um ganhador e os pais sempre perdedores.
Penso que esta é a hora do pai não delegar a sua missão para a escola, os cursinhos particulares, as atividades extras, tratando de ocupar o tempo dos filhos com outras alternativas, imaginando que eles não tendo tempo livre, está tudo resolvido. Muito menos dar aos filhos desde a tenra idade todo o “bem estar” que a vida moderna oferece, como solução para uma verdadeira educação. É um absurdo saber que dentro de casa, o pai precisa bater na porta do quarto do filho para poder entrar. Naquele pequeno cubículo tem tudo, desde internet, TV, som, jogos modernos, só falta os pais. No jogo da vida, se não entrar em campo a figura e missão do pai, o placar será sempre a favor dos filhos e quem sabe, às vezes, da mãe.
Celebrando o dia dos pais, e a semana da família, quero dizer a todos os pais, que em nenhum momento da história se sentiu tão forte a necessidade da presença paterna no relacionamento familiar como agora. É insubstituível, em todos os momentos, a autoridade do homem, a fim de imprimir junto com a mãe um estilo de vida. Um relacionamento que faz vibrar os sentimentos, o afeto, o carinho, a vontade de estar juntos, o construir cada passo no entendimento e na valorização recíproca. O caminho é longo, mas vocês não estão sozinhos, a missão é sempre a três. “Onde dois ou mais estarão reunidos ali estarei eu com eles” (cf. MT,18,20).
Que a semana da família seja um recomeçar juntos, que pais e filhos sejam amados e capazes de amar. “Que nenhuma família termine por falta de amor”(Pe. Zezinho) “Tudo posso naquele que me fortalece”(cf.Fl 2). Tudo ou nada, as meias- medidas se tornam insuficientes e sem gosto. O radicalismo faz parte do seguimento de Jesus. Quem sabe, você pai, neste dia revisando a sua vida, se dê conta que não é um pai “banana”, que não é um pai autoritário, mas que precisa assumir a missão de educar amando,comendo no mesmo prato, caminhando juntos mesmo não tendo tempo. Pai presente nunca será um pai “banana”.
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