Blog D. Anuar Battisti

Arcebispo da Arquidiocese de Maringá

O TÚMULO ESTÁ VAZIO
 Como estamos felizes ao ler a manchete mais importante nos meios de comunicação social, depois de celebrar a semana santa. “O túmulo está vazio”! Essa é a notícia mais importante da Páscoa. Ninguém, nem mesmo os discípulos daquela época permaneceram chorando a ausência do Senhor, mas foram anunciar: “tiraram o Senhor e não sabemos onde o colocaram” (Jo 20,2). A busca incansável para encontrar aquele que há poucas horas havia sido sepultado, e com ele todas as esperanças que os animavam na caminhada, era a única saída.         Ao celebrar a festa da Páscoa queremos anunciar que o túmulo está vazio. Ele não está mais aqui, ressuscitou, “não tenhais medo”. Vazio e silêncio são os sentimentos que invadem o coração dos que chegaram ao túmulo na madrugada. Naquela sepultura foram lavadas no coração do Mestre todas as mazelas humanas.  Na entrega dura e dolorosa do Filho pelos filhos, do amor infinito do Pai-Deus pela humanidade do passado, do presente e do futuro, cumpriu-se o plano da redenção definitiva para todos. Celebrar a ressurreição, nesta hora histórica da Páscoa 2008, significa decretar a instalação do reino do amor, da solidariedade, da justiça e da paz.      Como seria diferente se cada um de nós pudesse dizer: o meu túmulo está vazio, o túmulo do meu coração onde residiam o orgulho, o ódio, a ganância, a injustiça, a violência, a droga, os vícios…o meu túmulo está vazio, o pecado foi vencido, tudo foi transformado, não está mais aqui a podridão humana. O meu túmulo está vazio porque fiz o caminho quaresmal de oração, penitência, jejum, caridade. Fiz um caminho de conversão e de escuta da Palavra, que ouvi na quarta-feira de cinzas: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ( Mc 1,15). Estou feliz porque a Páscoa deste ano mexeu no profundo do meu viver, não foi somente um rito litúrgico emocionante feito por costume e tradição. Estou feliz porque o meu túmulo está vazio.      Na sepultura do Mestre foi todo o meu negativo e o de toda a humanidade, de todos os tempos, lavada no sangue do Cordeiro imolado. Somos todos peregrinos, chamados a sermos discípulos e discípulas carregando a nossa cruz de cada dia. Ninguém pode ficar de braços cruzados. É tempo de manifestar concretamente em quem colocamos a nossa esperança, em quem depositamos a nossa fé. Você e eu somos e devemos ser sempre os protagonistas de um mundo novo cuja marca é a ressurreição. Viver como ressuscitados, livres e libertos, para poder amar e dar a vida a exemplo do Mestre Jesus. Ninguém veio para ser servido, somos todos amigos servidores. “Não vos chamo de servos, mas de amigos, porque tudo o que aprendi de meu Pai eu vos dei a conhecer” (Jo 15,15).           Resgatados para sempre, chamados a uma herança de filhos e filhas, somos hoje neste mundo, nesta época, no agora de nossa história, homens e mulheres salvas e redimidas, com o compromisso de continuar a manter essa salvação seguindo os passos do Mestre, pois só Ele é “o caminho, a verdade e a vida”(Jo 14,6) . Podemos e devemos viver assim porque decretamos em nós: “O meu túmulo está vazio”. Vazio da morte, do pecado, das misérias humanas. O silêncio da morte diante da notícia “encontramos o Senhor” (Mt 28,8), faz gritar em todos os tempos e lugares: Aleluia! Ele está vivo no meio de nós e conosco estará “todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Só ele preencherá o vazio do nosso túmulo vazio, porque Páscoa não passa; estamos sempre em rítmo de Páscoa.
Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

1 Comentário para “O TÚMULO ESTÁ VAZIO”

  1. Saudações Dom Anuar,
    Realmente temos motivos de sobra para gritarmos ALELUIA ele ressuscitou! Cristou ressuscita em nossos corações diariamente e como disse Dom Anuar, Somente isto preenche o vazio do nosso túmulo, das nossas vidas e ele sim é a nossa páscoa.
    Participar da quaresma, semana santa, triduo pascal e ter motivos para cantar Aleluia no sábado de Aleluia nos faz fortes e muito felizes!
    Mais uma vez, Obrigada Dom Anuar por compartilhar mensagens tão lindas e verdadeiras…

    Francyene Rossett

Deixar um Comentário