HOMENS A SERVIÇO DE TODOS
Nas celebrações da Semana Santa, um marco central é a liturgia de hoje, quinta-feira santa chamada “Missa do Crisma” que, em geral, é celebrada na parte manhã nas Catedrais, sempre presidida pelo bispo diocesano. Esta celebração tem como característica principal a renovação dos compromissos sacerdotais de todos os sacerdotes da diocese. Em comunhão com o bispo diocesano fazem memória à ceia do Senhor, na qual Jesus instituiu a Eucaristia e com ela o sacerdócio. Para nós, é o dia em que nasceu a nossa missão, deixada por Jesus, “fazei isto em memória de mim”, palavras derradeiras daquela primeira ceia.
Nesta mesma celebração se consagra o óleo do batismo, da crisma e dos enfermos, para as celebrações dos sacramentos durante o ano todo, até a Páscoa do próximo ano. Dentro desta perspectiva a Igreja reunida ao redor do bispo, cabeça da comunidade, povo de Deus peregrino, realiza o maior ato de unidade, pois onde está o bispo com seu presbitério, aí está a Igreja. Uma Igreja “casa e escola de comunhão” que sabe orar, agradecer e suplicar as dádivas divinas para perseverar até o fim.
Hoje renovamos o nosso compromisso de dar a vida, seguindo os passos de Jesus, Mestre e Pastor do rebanho, porque ele “veio para servir e não ser servido”, para dar a vida em resgate de muitos. Por isso o ministério que recebemos só tem sentido e vale a pena deixar tudo, quando seguimos este modelo. Nenhuma honra e nem regalias, sem torpe ganância, sem apego a nada e a ninguém, para dizer como o Nosso Senhor, “o Filho do homem não tem aonde reclinar a cabeça”. Deixamos tudo para receber tudo; o cêntuplo já aqui nesta terra e na outra, a vida eterna.
A marca principal de nosso ministério é o exemplo do Bom Samaritano que descendo do seu cavalo, sente compaixão, unge as feridas, cura e devolve o caído para a sociedade. A nossa missão passa necessariamente pela aproximação aos excluídos e marginalizados. Como afirmam os bispos no Documento de Aparecida: “A resposta a seu chamado exige entrar na dinâmica do Bom Samaritano (Jo 10,29-37) que nos dá o imperativo de nos fazer próximos, especialmente com quem sofre, e gerar uma sociedade sem excluídos, seguindo a prática de Jesus que come com publicanos e pecadores (Lc 5,29-32), que acolhe os pequenos e as crianças (Mc 10,13-16), que cura os leprosos (Mc 1,40-45), que perdoa e liberta a mulher pecadora, que fala com a samaritana (Jo 4,1-26).(DA 135).
O sacerdócio é para todos nós, um tesouro que levamos em vaso de barro. Somos de natureza limitada, sujeitos a qualquer falha humana. Se Deus quisesse contar com gente perfeita teria escolhido os anjos. Deus não chama os capacitados mas capacita os chamados. Somos instrumentos nas mãos do Bom e Amado Pastor que veio “para dar a vida e a vida em abundância”. Lançar-se cada dia, na confiança de servos e servidores, faz de todos nós escolhidos para este ministério, mensageiros destemidos, evangelizadores corajosos, sabendo em quem colocamos nossa esperança. Por isso somos homens a serviço de todos, recomeçando sempre, procurando ser perfeitos como o Pai é perfeito.
Amigos e amigas, hoje, de maneira especial, peço que orem por nós, consagrados, para que sejamos fiéis e que nunca faltem operários para a messe do Senhor. Feliz e Santa Páscoa!
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