UMA SEMANA DIFERENTE
Aproxima-se a celebração mais importante da fé para todos os cristãos . Ninguém pode dispensar-se do compromisso de refazer o caminho do Mestre, cujo desfecho final é a passagem da morte para a vida. Estou seguro de que, a próxima semana bem vivida e participada, trará a todos uma alegria renovada, um gosto novo de viver, uma esperança que não decepciona. Para todas as religiões cristãs, o mistério pascal deve ser o centro de todas as celebrações litúrgicas, pois acreditamos que Jesus veio entregar a vida para o resgate de todos. A Semana Santa começa no próximo domingo, celebrando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelo povo com os ramos e o vozerio; “Bendito o que vem em nome do Senhor, hosana nas alturas!.(Jo 12,13) O Rei montado num jumentinho, sem mordomias e sem palácios, simbolizando o serviço e a entrega, até o derramamento de sangue. Esse é o nosso Rei. Jesus faz uma trajetória que não entra na concepção normal do pensamento humano. Será uma semana de sofrimento, passando pelo tribunal, pela condenação, até ouvir da boca de Madalena, na madrugada do terceiro dia “Roubaram o corpo do Senhor, ele não está mais aqui,”. (Jo 20,2) O processo de Jesus começa na quinta-feira santa, celebrando com seus discípulos, numa mesa de pão e vinho, deixando, nestes símbolos, a sua presença para sempre, dizendo: “fazei isto em minha memória”.(1Cor 11,23-25) Façam isso sempre, porque eu sou o pão da vida eterna, quem comer deste pão viverá eternamente. Naquela noite de celebração, deixa para todos o testamento de despedida fazendo a lavagem dos pés, serviço de escravos, para dizer: “se eu como Mestre lavei-vos os pés, deveis lavar os pés uns dos outros”.(Jo 13, 14) Esse gesto foi para dizer que não se senta à mesa para a partilha sem primeiro ser servo, sem primeiro amar e servir. Não existe eucaristia, não existe pão da vida, sem compromisso solidário com os mais pobres. Depois desta ceia, de alegria e de dor, marcada pela traição de um amigo e companheiro, Jesus vai ao lugar da “caveira”, Gólgota, para orar e suar sangue como antecipação da dor que sofreria horas depois. Na intimidade com o Pai exclama: “Se for possível, afasta de mim este cálice, porém não se faça a minha vontade e sim a tua”.(Lc 22,42) Segue em frente, acredita, suporta e assume por nós e pela humanidade o caminho da cruz e da morte. Por isso, nós na sexta-feira santa, em reconhecimento a esta redenção, nos reunimos às três horas da tarde para recordar e reviver aquele gesto salvador, e agradecer. Não é dia de chorar e nem de cultivar sentimentos vazios, mas é dia de gratidão e reconhecimento pela salvação conquistada para sempre e ara todos. No sábado, continuando em clima de vigilante oração, cantamos o aleluia, antecipando através do símbolo da água e do fogo, o anúncio do túmulo vazio, madrugada do terceiro dia. Sábado ainda não é Páscoa, Jesus ainda está no túmulo. Ainda aguardamos o dia do Senhor, o domingo, “dies domini”, para cantar” Ressuscitou Aleluia”. Para nós, o sábado faz parte do tríduo pascal, da vigilante oração. Por isso, nós cristãos, celebramos o domingo, como o dia da ressurreição, da vitória de Cristo sobre a morte. O dia santificado pelo Senhor da vida e da humanidade, o dia de dobrar os joelhos, orar sem medo e sem desculpas, a fim de tomar consciência e cultivar a salvação conquistada para sempre e para todos, pelo Senhor Jesus. Que bom ter a graça de participar desta semana, sem querer ocupar o tempo com outras coisas, por mais agradáveis que sejam. O natal é importante, mas o resgate e a salvação foram realizados na Semana Santa, no Mistério Pascal de Cristo, como afirma o Apóstolo Paulo: “Se Cristo não tivesse ressuscitado vazia seria a nossa fé”.(1Cor 15,17) Convido a todos para fazer da Semana Santa a semana mais importante do ano, uma semana diferente, porque o amor de Deus por nós é diferente sempre, nunca se repete, é sempre novo, como deve ser o nosso agir cotidiano. Desejo uma semana diferente a todos!
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