Blog D. Anuar Battisti

Arcebispo da Arquidiocese de Maringá

NESTE DEUS, EU NÃO ACREDITO
  Com o passar do tempo sentimos a necessidade de fazer um caminho, onde as diferenças diminuem e as semelhanças nos aproximam. O principio fundamental para a convivência amigável e respeitosa se dá na valorização da riqueza do outro e dos outros. Acredito que a beleza está na variedade de cores e de modelos, de tipos e de caracteres, com que fomos e somos moldados.        Apesar do caminho feito na busca daquilo que nos une, sentimos ainda que a discriminação social e, de maneira especial religiosa, ainda se faz sentir com muita freqüência. É comum ouvir: “Aqueles vão para o inferno”,  “nós estamos salvos”, somente quem está com esta igreja tem a salvação”. Esse tipo de discurso me faz acreditar que exista um Deus discriminador, um Deus que quer uns e condena outros, um Deus que faz distinção de pessoa, um Deus que não quer ver todos os seus filhos salvos e salvados.  Fica difícil entender que o proselitismo religioso seja a meta número um de muitos irmãos, atuando de maneira agressiva e discriminatória. Sei também que esse não é um projeto novo, porém é inaceitável que alguém se dê o direito de julgar os outros. “Não julgueis para não serdes julgados, Não condeneis para não serdes condenados, porque da mesma maneira que julgardes sereis julgados, diz o Senhor”. Neste Deus eu não acredito e não posso acreditar de forma alguma, como também não posso acreditar em quem age desta forma. Somos todos criados à imagem e semelhança de Deus, herdeiros de um prêmio reservado aos filhos e filhas que Nele colocam toda a confiança. A nossa raiz comum nos leva a comungar os mesmos ideais de fraternidade, cujo objetivo é construir um mundo de paz. Por isso é incompreensível que ainda hoje existam cristãos que julgam e condenam como se fossem deuses, onipotentes e oniscientes, possuidores de toda a sabedoria e de todo o entendimento, até possuidores de salvação.       O Deus que eu acredito é o Deus da Bíblia, cuja característica principal é o amor.”Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus, pois Deus é amor…Nisto consiste o amor; Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou  e enviou o seu Filho para reparação de nossos pecados”(1Jo 4,7-10). Neste Deus encontro segurança, fidelidade, amor, que me dá a capacidade de amar.  Neste Deus eu quero continuar meu caminho de fé, como diz o apóstolo Paulo, “eu sei em que coloquei a minha confiança”.      “Ninguém viu a Deus; mas se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado entre nós”(1Jo 4,12). Deus está onde existe relacionamentos baseados no amor que une , cria laços de fraternidade, abre caminhos para o diferente, acolhe o distante, chama os perdidos. Ao mesmo tempo o Deus-Amor é verdadeiro, às vezes pega no chicote e derruba as mesas, corrige a quem erra, se vinga de quem explora, tem ciúme de seus filhos quando tomam veredas desconhecidas. O Deus da Bíblia é o meu Deus e nele quero continuar caminhando sempre. Nele quero fazer caminhos novos  a cada dia, Nele quero perseverar até o fim pois a perseverança garantirá a salvação. Neste Deus eu quero continuar vivendo, sabendo que minhas fraquezas são nada diante Dele.
 
 
 

1 Comentário para “NESTE DEUS, EU NÃO ACREDITO”

  1. Inequivocamente correta a colocação feita, acima, acerca da crença em Deus pelas pessoas. O que vemos comumente, são pessoas, dessa ou daquela religião, que buscam Deus pra tapar os seus buracos, ou seja, às suas conveniências porque já ouviram falar do seu poder de fazer cura, de fazer consertos, de remediar, de salvar a pele e por aí afora. Que passada a ocasião aflitiva desse indivíduo, nem se lembra de que nem ao menos olhou para o alto e fez agradecimento algum, como se fosse uma obrigação Dele fazer aquilo. É por isso que o desamor ou a desunião desse sentimento é mais visível entre os povos do que o seu lado oposto, minoria que suplica candentemente por uma conversão nas pessoas. Essa voz, a voz do amor, da fraternidade não tem eco. Assim sendo, é de se pensar que Deus, apesar de sua plenitude celeste, está nas arquibancadas apenas vendo um jogo correr, sem o seu técnico orientador, mas, balançando a cabeça negativamente o tempo todo, pra lá e pra cá, tentando entender o porquê dessa desobediência tão insana aos seus mandamentos, que quase o obriga dar cartão vermelho nessa contenda do mundo, que até é, mesmo, bastante acirrada, transparecendo ser uma vontade de dizer que neste Deus eu não acredito. É a lei do cada um pra sí e que Deus nos proteja. Parabéns, D.Anuar, pelo belo e brilhante raciocínio. É nesse Deus que também acredito. Louvado seja.

    Ivanildo

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