Blog D. Anuar Battisti

Arcebispo da Arquidiocese de Maringá

 Fim de ano traz sentimentos que em nenhuma época do ano se repetem com tanta intensidade. Passando pelo clima natalino que se mistura com as práticas tradicionais da fé cristã e a corrida atrás das compras e presentes marcadas pelo lendário Papai Noel, tudo vai culminar nas festas extravagantes de fim e início de ano novo.

Nestas celebrações, de maneira especial a passagem de ano, se mistura com uma série de fantasias que levam a crer no sucesso, no bem estar, na vida de prosperidade, na realização dos sonhos e cobiças nem sempre fáceis de alcançar. Início de ano é marcado por promessas, por emoções e até práticas de magia, acreditando que a intervenção do sobrenatural acontece na oferta de coisas e de objetos. Quantas flores, velas, comida, frutas, champanhes, fogos aos milhares e outras coisas mais oferecidas à deusa e ao deus dos mares, às forças cósmicas. O mar, os peixes e a areia que o digam; quanto lixo,  poluindo não só o chão e a água, mas as mentes e os corações, distanciando-os do verdadeiro sentido da vida e da existência humana.     

O nosso Deus não aceita coisas, Ele quer pessoas, que buscam em seu coração um lugar seguro e tranqüilo, Ele quer as criaturas feitas à sua imagem e semelhança, Ele quer a vida dos homens e das mulheres criados por amor e para amar, Ele quer o homem e a mulher seres livres e libertos, Ele quer a boa vontade de cada um de nós como co-criadores, com Ele, de um mundo mais justo e solidário, Ele quer filhos e filhas com vida e dignidade.    

O Deus do céu e da terra, dos seres e das criaturas, o Deus dos dias e das estações, dos meses e dos anos não aceita negociar do jeito que queremos,”toma lá que eu te dou cá”, eu faço isso você me dá aquilo”. Com Deus não tem comércio, não se compra e nem se vende. Com  o nosso Deus só existe o dar sem esperar recompensa, o perdoar sempre,  a oferta da face esquerda quando te batem na direita, que o seu orar seja em segredo, que a sua direita não saiba o que faz a esquerda, que o seu falar seja sim quando é sim e não quando é não, que toda a lei e toda a profecia seja marcada pelo amor a Deus e ao próximo.         

Neste caminho de fé só existe a “fantasia do amor e da fé” . Alcançar os objetivos, metas e desejos, que traçamos no início do ano só será possível se   fizermos a nossa parte e fazê-la bem feito. Deus está conosco ; Ele, o Senhor da Criação e das criaturas. Sinta-se criatura amada pelo criador. Ame sem esperar nada em troca, que tudo dará certo.
 
D. Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá
 

3 Comentários para “FÉ, FANTASIA E PROMESSA”

  1. […] arcebispo da arquidiocese de Maringá, Dom Anuar Battisti, critica hoje em seu blog o uso de fogos, velas, flores e demais oferendas no final de ano. Assunto polêmico, tendo em vista […]

    Blog do Edson Lima » Arcebispo critica oferendas de final de ano

  2. D. Anuar

    Concordo contigo quanto á forma com que as pessoas comemoram do seu jeito as festividades. Mas isso não seria um reflexo da ação principal tomada por se eleger a data do natal como sendo 25 de dezembro, uma festa tradicionalmente pagã até mesmo antes de Cristo? Ou seja, os pagãos continuam a comemorar suas saturnais. Quem erra são os cristãos por comemorarem juntos. Sou cristão e gosto de estudar muito a Bíblia, pesquisas profundas. Acredito que por coincidir o Natal com a festa pagã do Solis Invictis ou as saturnais, ainda mais por Jesus não ter nascido em dezembro, foi um erro. É como tu mesmo disseste acima: Não podemos adorar a Deus do nosso próprio modo. Temos de adorar a ele da forma como ELE quer ser adorado. Não acho que ele tenha gostado de os humanos colocarem a data de nascimento do filho dele no mesmo dia dos deuses pagãos e dizerem que “é uma festividade para Jesus”…

    Andre

  3. Se realmente a nossa intenção for colaborar para uma natureza melhor, teremos que mudar alguns hábitos e/ou forma de fazer as coisas sem prejudicá-la.

    Caetano

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