Blog D. Anuar Battisti

Arcebispo da Arquidiocese de Maringá

O Papa Bento XVI apresentou nesta sexta-feira, dia 30 de novembro, a encíclica «Spe Salvi» («Salvos na esperança»), na qual apresenta uma humanidade em ocasiões desenganada na dimensão da esperança oferecida por Cristo. Começa com uma passagem da Carta do apóstolo São Paulo aos Romanos, «é na esperança que fomos salvos» (8, 24), e destaca como «elemento distintivo dos cristãos o fato de eles terem um futuro»: sua vida «não acaba no vazio» (número 2).    

 A esperança, um encontro «Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança», declara no número 3 da carta. A encíclica explica que Jesus não trouxe uma «mensagem sócio-revolucionária», «não era um combatente por uma libertação política». Trouxe «o encontro com o Deus vivo», «com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o mundo» (4).     Cristo «diz-nos quem é na realidade o homem e o que ele deve fazer para ser verdadeiramente homem». «Ele indica ainda o caminho para além da morte; só quem tem a possibilidade de fazer isto é um verdadeiro mestre de vida» (6).

Para o Papa está muito claro que a esperança não é algo, mas Alguém: não se fundamenta no que passa, mas em Deus, que se entrega para sempre (8). Neste sentido, acrescenta, a «crise atual da fé» «é sobretudo uma crise da esperança cristã» (17).    Desilusões A encíclica mostra as desilusões vividas pela humanidade nos últimos tempos, como por exemplo o marxismo, que «esqueceu o homem e a sua liberdade. Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive para o mal.

Pensava que, uma vez colocada em ordem a economia, tudo se arranjaria.» (21)«O seu verdadeiro erro — declara — é o materialismo: de facto, o homem não é só o produto de condições económicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições económicas favoráveis.» (21)       A fé cega no progresso é outra das desilusões analisadas, assim com o mito segundo o qual o homem pode ser redimido pela ciência. «A ciência pode contribuir muito para a humanização do mundo e dos povos. Mas,  também pode destruir o homem e o mundo, se não for orientada por forças que se encontram fora dela». «Não é a ciência a que redime o homem. O homem é redimido pelo amor.» (25-26)  Lugares da esperança O Papa indica quatro «lugares» de aprendizagem e de exercício da esperança. O primeiro é a oração: «Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve. Quando já não posso falar com ninguém, nem invocar mais ninguém, a Deus sempre posso falar» (32).

O segundo lugar de aprendizagem da esperança é o «agir». «A esperança, em sentido cristão, é sempre esperança para os demais». «Só a grande esperança-certeza de que, não obstante todos os fracassos, a minha vida pessoal e a história no seu conjunto estão conservadas no poder indestrutível do Amor e, graças a isso e por isso, possuem sentido e importância, só uma tal esperança pode, naquele caso, dar ainda a coragem de agir e de continuar» (35).           

O sofrimento é outro lugar de aprendizagem: «Certamente é preciso fazer tudo o possível para diminuir o sofrimento»; contudo, «não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor» (37). O último lugar de aprendizagem da esperança é o Juízo de

Deus: «Sim, existe a ressurreição da carne. Existe uma justiça. (43). A encíclica conclui apresentando «Maria, estrela da esperança». «Mãe nossa — invoca –, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o seu reino! Estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho» (50). (Fonte: Zenit do dia 30.11.2007, texto de Jesús Colina).

D. Anuar Battisti - Arcebispo de Maringá

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