O MUNDO PRECISA DE SANTOS
Estamos no caminho conquistando a morada definitiva. Ninguém vai ficar guardado como peça de museu ou como múmia egípcia, nem mesmo congelado para voltar a viver neste mundo depois da morte. Hoje, celebramos o dia de todos os santos. Quem são os santos? Em primeiro lugar, somos todos nós. Pelo batismo, passamos a fazer parte dos filhos e filhas de Deus chamados a seguir o caminho da santidade. Certamente neste mundo de incertezas perguntamos como Tomé: “Como vamos saber o caminho?(Jo 14,5) Jesus nos responde com uma proposta provocadora: “Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim”(Jo 14,6) Ele é o verdadeiro caminho para o Pai, o qual amou tanto o mundo que lhe deu seu filho único, para que todo o que nele crer tenha a vida eterna(Jo 3,36). Chamados a ser santos, porque Deus é Santo. “Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel: Sejam santos, porque eu, Javé, o Deus de vocês sou santo”(Lv 19,2). O convite à santidade é proposto a todos. Ser santo não significa estar com cara de penitência, com ar de beata arrependida, ou cheirando vela queimada. A santidade consiste em seguir a disciplina do Mestre contida nos evangelhos, seguir e colocar em prática os ensinamentos sem querer ser perfeito de uma hora para outra e sim contando com nossas fragilidades, recomeçar sempre. Não importa se somos pessoas com muitas qualidades ou não. Os santos dos altares foram extraordinariamente radicais em viver a proposta evangélica sem tréguas. Deixaram-se apaixonar por uma palavra e levaram até o fim sem medo e com radicalismo heróico. O mundo precisa de santos que saibam fazer de cada momento uma eternidade, de cada gesto um sinal de esperança, de cada olhar um respiro de amizade , em cada passo uma ponte de novas relações, de cada palavra um grito de vida nova, de cada canto a harmonia da convivência fraterna, em cada pessoa a presença de um Deus que nos ama imensamente. O mundo tem sede de Deus e nós cristãos, somos a água que Deus deixou para regar a terra árida e ressequida pelo ódio, pela injustiça, pela violência, pelo desprezo, pela exclusão, pela miséria, pela ganância de poucos em detrimento da maioria marginalizada. O mundo precisa de pessoas santas cujas vidas exalam o perfume da graça de fazer a experiência do seguimento de Jesus, discípulos e discípulas apaixonados pelo Mestre, assumindo com garra a disciplina que salva e liberta. Mais do que santos nos altares, o mundo precisa de santos nas ruas, nas empresas, nas famílias, nos ambientes de trabalho e lazer, nos encontros e desencontros normais de quem esta à caminho. Amanhã a Igreja celebra com grande piedade a memória dos mortos e oferece a eles orações. Desde o século I, os cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar aos mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava. Também o abade de Cluny, na França, Santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. O grande número de mosteiros beneditinos ligados a Cluny favoreceu a ampla difusão dessa comemoração em muitos países da Europa setentrional. Desde o século XI os papas Silvestre II (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. Em 1311, em Roma, foi declarada oficialmente a memória anual dos mortos que passa a ser comemorado em 02 de novembro, porque 1° de novembro é a Festa de Todos os Santos. O dia de Finados é um convite a olhar a morte com os olhos da fé e não com o olhar de desespero. Somos enviados a confiar em Deus que não condena o justo e aquele que vive em Deus não é destinado à desgraça. O Salmo 26 canta a confiança na bondade de Deus: Contemplarei a bondade do Senhor na terra dos viventes. Porque Deus é a minha luz, minha salvação. O som da confiança também vem do Apóstolo Paulo: […] tornados justos pelo sangue de Cristo, com maior razão seremos salvos da ira por meio dele (Rm 5,9). Nossa prece aos que partiram e a nós que ainda peregrinamos, coragem e fé, porque “quem perseverar até o fim será salvo”. A Cristo Ressuscitado, Senhor dos vivos e dos mortos, nós suplicamos: “Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno! E a luz perpétua os ilumine! Descanse em paz! Amém.
Vejo sempre palavras de sabedoria em seus escritos. Parabéns pelo Dom que duplamente recebeu de Deus. Sempre colocando a serviço das comunidades e dos irmãos.Somos gratos ao Pai por tê-lo como nosso bispo.
PAULA
2, Novembro 2007
Legal o artigo. Gostei muito. Principalmente quando o assunto santidade refere-se à nossa presença na sociedade
Eduardo Syduloviez
2, Novembro 2007
Parabéns, o artigo reflete o anseio, a sede da humanidade pela santidade. Penso que todos nós somos chamados a santidade. Ser santo é ser completamente humano é contemplar a nossa “limitude” e nossa “luminosidade”.
Dic. Eduardo belotti,sm.
10, Novembro 2007