LIBERDADE! … QUEREMOS LIBERDADE!
Liberdade de expressão…Liberdade de culto… Liberdade para ir e vir…
Liberdade religiosa… Liberdade de escolha… Liberdade política…
Liberdade….Liberdade….enfim, poderia continuar como uma ladainha sem fim. Todos nós fomos criados livres desde a criação, a tal ponto que a liberdade humana levou o primeiro homem e a primeira mulher deseja r serem como Deus. Nesta pretensa utopia humana nasce o pecado. Ser como Deus ou ocupar o lugar de Deus, não cabe a nenhum ser humano. Arrogar-se o direito de decidir sobre a própria vida, dom de Deus, é um absurdo. Não sabendo usar esse dom preciso que Deus nos deu, a liberdade, o resultado está na seqüência interminável de morte, violência e terror diante da vida. Em nome da liberdade, jovens são ceifados no trânsito, fazendo com que a segunda causa de maior número de mortes sejam de pessoas entre 20 a 34 anos.
O trânsito, e de maneira especial em nossa cidade, é hoje a maior preocupação de todos. É inconcebível que numa cidade tão organizada, com ruas largas e bem sinalizadas, com campanhas que duram o ano todo, com os meios de comunicação apoiando, com leis severas e rigorosas, ainda tenhamos a triste estatística de mais de setenta vítimas fatais nesses nove meses de 2007. Liberdade não significa fazer o que cada um quer, quando quer e como quer. É inadmissível viver em permanente risco de vida ao sair de casa, pensando na irresponsabilidade de alguns que não tem amor à vida.
O homem moderno, principalmente os jovens, precisa descobrir o valor imprescindível da obediência.
Como lemos no livro do Eclesiástico: “Não diga: eu me afastei por culpa do Senhor. Porque Deus não faz aquilo que Ele próprio detesta. Não diga que foi Ele que o fez desviar. Porque Deus não tem necessidade do pecador. Porque Deus detesta qualquer tipo de abominação, e nenhuma delas é desejada por quem teme ao Senhor. Desde o princípio Deus criou o homem e o entregou ao poder de suas próprias decisões. Se você quiser, observará os mandamentos, e sua fidelidade vai depender da boa vontade que você mesmo tiver. Ele pôs você diante do fogo e da água, e você poderá estender a mão para aquilo que quiser. A vida e a morte estão diante dos homens, e a cada um será dado o que cada um escolher. Seus olhos estão sobre aqueles que o temem, e Ele conhece cada ação que o homem realiza. Ele não mandou ninguém se tornar injusto e a ninguém deu permissão para pecar” (Eclo 15,11-20)
Deus nos fez para a liberdade de filhos prediletos, temos diante de nós a tomada de decisão sobre o presente e o futuro. Deus não precisa de nós, somos nós que precisamos de Deus. Qualquer um de nós,seres humanos,ao deixarmos de lado um relacionamento filial com o Pai-Deus, permaneceremos para sempre humanos, vazios, sentindo-nos donos do mundo, murmurando de tudo e de todos, afogando-nos na nossa auto-suficiência, desejando ser deuses. Ninguém encontrará sentido na vida, longe de um relacionamento pessoal com o Senhor do céu e da terra. Na medida em que os jovens temerem a deus fazendo a experiência de filhos livres e libertos, o mundo será outro, a família será outra, a sociedade será outra. De nada adianta fazer o que se quer, e sim o que se deve. Como diz Bento XVI “ o terceiro milênio está nas mãos dos jovens”. Cristo nos libertou para sermos verdadeiramente livres. Portanto, fiquem firmes e não se submetam de novo ao jugo da escravidão” (Gl 5,1)
Dom Anuar Battisti
Dom Anuar, gostei de seu texto. O tema liberdade sempre fascina as pessoas, e sobretudo os jovens. Contudo, quando se invoca a liberdade para mostrar ao jovem que ele deve ser mais comedido com a própria vida e a de outrem, seja no trânsito ou onde estiver se divertindo, com efeito, se está olvidando que a impetuosidade natural da adolescência o deixa deslumbrado pela vida, pelas coisas que o cercam.
Em meu entender, é nesse deslumbramento que reside o grande perigo para a juventude atual; resulta primeiramente da obediência aos apelos de consumo imediato, do apego à velocidade, aos riscos desnecessários, do prazer hoje a qualquer preço, em tudo culminando por desprezar uma regra soberana: para se ter é preciso ser,
E para ser alguma coisa na sociedade é necessário ter disciplina, dedicação exclusiva a um objetivo de vida. E essa capacidade de se auto-disciplinar só se consegue com o treinamento diário, responsável, consciente, resultado do amor pelo saber, que é a semente de todo ter.
Estou observando (à distância) a evolução de um jovem meu vizinho, há alguns anos. De origem humilde, estudou numa escola estadual perto de minha casa (Jardim Liberdade). Desde menino noto que ele sempre demonstrou muita habilidade para lidar com animais, pastoreando algumas cabeças de gado de uma chácara ali perto.
E com isso, mal ele tinha dez anos, por força de sua habilidade comercial inata já se tornara dono de uma potrinha, que logo se formou um belo animal, e o tal menino a amansou e a vendeu. O menino foi crescendo. Logo comprou um burro grande – aliás, eu sempre tive restrições com muares; medo mesmo.
Muitas vezes a corda que amarrava o dito burro defronte minha casa (No terreno onde hoje está construído o Salão da Paróquia Liberdade) se soltou e o animal ficava correndo desesperado, com o toco de madeira arrastando; eu ia lá, o segurava, amarrava de novo, e chamava o tal menino em sua casa.
De olho atento nas possibilidades negociais que lhe apareciam, o tal criativo menino inventou de acumular garrafas pets vazias num terreno perto de sua casa; no final do ano passado ele se desfez do burro, vendeu as garrafas e apurou uma boa soma, com a qual comprou uma reluzente motocicleta, novinha em folha.
Tenho notado que ele, já um rapazote, não estuda mais naquela escola – quem sabe deva estar em outra. Certamente influenciado pelos amigos que têm motos, retirou o “miolo” do escapamento de sua moto, e agora vive perigosa e ruidosamente, em alta velocidade, pelas ruas e avenidas da cidade. Já aprendeu empinar a tal moto, com ela andando assim por dezenas de metros, com todo o desnecessário risco para seu corpo juvenil e frágil.
Dia desses tive de pedir-lhe pessoalmente para que se abstenha de ficar defronte minha casa, com o escapamento aberto, acelerando sua moto altas horas, provocando todo o desconforto para as pessoas que não têm admiração por sua atitude juvenil.
Assim, Dom Anuar, posso concluir que o distanciamento escolar do menino, associado com sua obediência aos apelos consumistas, são fatos que, numa visão dura da realidade desse caso que assisto e ora lhe narro, o levam a esquecer que seu maior patrimônio é só um, o próprio corpo, algo extremamente frágil, mas que ele, na impetuosidade de sua juventude, está desprezando unicamente porque não ninguém lhe ensinou que ser é superior a ter. Tivesse ele convivência coma cultura, certamente poderia ser um ótimo comerciante, ou um belo operador de marketing, entre outras profissões comerciais. No entanto – como diria minha querida mãe que Partiu de Volta ano passado -, se o jeito regula o tal menino não demorará muito para engrossar os números das pesquisas de trânsito de nossa cidade. Quiçá, nada disso se confirme, torço por isso.
roberto balestra
19, Setembro 2007
Querer a liberdade foi o pecado do primeiro homem e a primeira mulher diz o bispo. Esta figura alegórica remete às palavra de Agostinho que me parece uma apologia do pecado original: “Ó feliz culpa, que merceu tao grande redentor! Ó feliz culpa!
Sem este pecado, estaríamos ainda no paraíso, nas cavernas talvez, como o Homo Erectus, ou um ancestral culturalmente ainda menos evoluído.
Por isto, parafraseando Agostinho, repito sua bela ladainha, Ó liberdade, que nos tirou da escuridao das cavernas, onde desenhavamos nossos sonhos de paraíso. Ó liberdade, que nos livrou das catacumbas e nos integrou ao Estado de Constantino, permitindo o livre exercício de culto. Ó paradoxal liberdade, que nos livrou das trevas da fé e nos permitiu entender o curso dos astros, desmistificar o sacro colégio, o magistério e a infalibilidade papal. Ó liberdade, que nos permite relativizar o discurso eclesiástico, estatal, midiático e legal, para propor um novo projeto de sociedade onde as diferenças sejam respeitadas e todos possam viver com a máxima liberdade. Ó liberdade, valor imperativo, motor da felicidade, sempre desejada, jamais suficiente. Seja sempre buscada, pelos séculos dos séculos, liberdade plena, sem fim. Amém.
Dubiela
24, Setembro 2007
Eu luto pela liberdade desde que nasci. Primeiro para me entender. Queria liberdade para ler, escrever. Depois liberdade para denunciar as falcatruas da ditadura, época em vivi jovem. Mais tarde, liberdade para trabalhar. Como professora em São Paulo, vivia correndo atrás de escola, aulas para sobreviver. Liberdade para sobreviver!! Lutei até as últimas gotas de meu suor. Com crianças de rua, lutei pela liberdade e justiça. Lutei para dar voz e vez aos meninos que morriam pelas mãos da polícia.
Luto ainda por coisas arcaicas: 1) liberdade de falar o que penso nas instâncias do lugar onde trabalho; 2)liberdade de escrever e não ser perseguida por pessoas estranhas, 3) liberdade de expressão; 4) lutar junto aos jovens e pobres pela liberdade de ousar, de pensar, de reivindicar. Enfim, pela LIBERDADE de ser e viver em um país onde a única liberdade é roubar sem ser punido. vejamos o senado, a Câmerade deputados e de vereadores!
Ah! Don Anuar: parabéns pelo BLOG!
Marta Bellini
24, Setembro 2007