Celebrar o dia da Independência do Brasil significa olhar os rostos de cada brasileiro e brasileira para ver estampado a alegria e a satisfação de fazer parte desta nação cujo nome tem cor de brasa, fogo que queima e transforma, que nasceu aos pés da cruz e foi gerado na fé e na luta. No olhar de cada cidadão veremos os mais variados rostos com as expressões que vão da festa da vitória até a tristeza desfigurante dos excluídos e marginalizados, que se multiplicam a cada dia que passa.
Certamente, não é cantando o hino e nem mesmo hasteando a bandeira que vamos honrar a pátria amada e idolatrada. Certamente, não são os desfiles alegóricos mostrando cultura, força bélica e até encenando fatos históricos para lembrar o passado. Certamente, a nossa homenagem não se resume em hastear a verde flâmula que nos caracteriza como brasileiros e nos identifica em qualquer lugar do mundo. Certamente, a nossa homenagem não está emoldurada só nas figuras dos heróis da pátria .
A nossa homenagem neste dia do grito: “independência ou morte” está no compromisso social em diminuir a diferença entre os poucos cada vez mais ricos e a maioria cada vez mais pobre. “A desigualdade é altíssima – uma das piores do mundo – para um país classificado como de médio desenvolvimento. Ela faz com que os 10% mais ricos fiquem com 46,9% da renda e os 10% mais pobres com 0,7%. Entre os mais ricos, 60% dos ocupados e 70% dos empregados são do sexo masculino, 91,3% dos mais ricos são brancos e 8,7% negros ou pardos. Mesmo que os estudos recentes apontem ligeiras quedas em seus indicadores, ela continua gravíssima: por exemplo, a renda média da população em idade ativa, que em 1985 era equivalente a R$ 649,00, em 2003 havia subido para apenas R$ 685,00. Não é demais lembrar que a persistência da desigualdade, além de agravar a pobreza, também resulta em baixa mobilidade social e é fator fundamental na desagregação social, especialmente porque todos os grupos socialmente mais vulneráveis têm aparecido com as suas principais vítima”(Direitos Humanos no Brasil 2, diagnóstico e perspectiva,CERIS, 2007).
Resumindo, “esta rápida abordagem mostra as exigências para uma sociedade que não resolveu o problema estrutural da pobreza e da miséria, agravado pela desigualdade. Rigorosamente, ambas são, por si só, violação dos direitos humanos e, quando recorrentes ao longo do tempo, podem também ser sistemáticas. Enfrentá-las como realização dos direitos humanos exige muito mais do que paternalismo, mas políticas públicas e iniciativas econômicas que revertam o quadro de exclusão e inauguram um novo momento histórico”(Direito Humanos no Brasil 2, diagnostico e perspectiva, CERIS, 2007).
A bandeira brasileira hasteada no dia da pátria é a homenagem aos milhões de excluídos que gritam pelo respeito aos direitos humanos, dignidade e cidadania. A nossa homenagem à Pátria Grande cantando o hino nacional, deve ser o canto do resgate da esperança perdida diante da corrupção e do abuso do poder político, legislando em causa própria. Talvez não sejamos capazes de imaginar o que seria de nosso Brasil se todos nós, cristãos, que somos a maioria, levássemos a sério os ensinamentos do Evangelho. Como seria diferente a festa da independência se todos nós, cristãos, puséssemos em prática ao menos um pouquinho do mandamento novo deixado pelo Mestre Jesus, como resumo de toda a lei, de toda a escritura. A Pátria amada e idolatrada, ela clama pelo oxigênio da fé e do amor; ainda é tempo…
Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá
Felizmente há pessoas que amam e lutam pela pátria, mas o que me entristece é ver que muitos não dão o devido valor à sua PÁTRIA, dizendo que aqui não existe justiça, que em um outro país há mais segurança e por isso é melhor que o Brasil, não discordo, mas o brasileiro precisa entender que a realidade lá fora não é tão diferente daqui. É necessário rezar e lutar pela independência da injustiça, do desamor, da falta de diálogo,da violêcia, da corrupção humana, enfim de tantas coisas que é impossível enumerar aqui. Vamos nos unir e lutar em defesa da nossa Pàtria! Clarice M. Hirata de Marialva-Pr
Clarice
19, Setembro 2007