Todos nós já rezamos algumas centenas ou milhares de vezes o “Pai Nosso”, pedindo que venha entre nós o Reino de Deus, reconhecendo que, antes de qualquer coisa, o primado de Deus em tudo e antes de tudo. Onde Ele não está, nada pode ser bom. No livro “Jesus de Nazaré” do Papa Bento XVI, escreve: “Onde Deus não é visto, o homem arruína-se e arruína o mundo. Neste sentido, o Senhor nos diz: “Procurai antes de mais nada o Reino(de Deus) e a sua justiça, que tudo o mais vos será dado”(Mt..6,33). Com esta expressão é estabelecida uma ordem de prioridades para a ação humana, para a nossa atitude no cotidiano”.
Desta maneira, não está sendo feita nenhuma promessa de uma terra de delícias apenas pelo fato de sermos piedosos ou desejarmos que venha o Reino de Deus. Ainda menos provável seria acreditar que automaticamente pedindo, ganharíamos um mundo igualitário, justo, sem classes sociais, onde tudo caminharia perfeitamente bem. Pedir o Reino significa colocar Deus em primeiro lugar em tudo, fazendo com que Deus seja o soberano. Soberania de Deus onde em cada um de nós, a sua vontade seja a prioridade número um. Por isso, ao pedir o Reino de Deus no Pai Nosso, também nos comprometemos a fazer a sua vontade. Essa vontade cria justiça, fortalece a fraternidade, solidifica a dignidade humana, estabelece solidariedade, garante o bem comum.
Diante do desafio de um mundo cada vez mais secularizado, onde a tendência é banir Deus das relações humanas e do convívio cotidiano, promovendo a soberania do homem sobre a soberania de Deus, cabe recordar uma atitude fundamental de todo aquele que quer construir um mundo melhor. Vou buscar na Bíblia a primeira oração de Salomão depois de ter tomado posse como rei.
Em sonho o jovem rei pede ao Senhor: “Concede ao teu servo um coração que ouve, para que ele governe o teu povo e seja capaz de distinguir o bem e o mal”(1Rs 3,9).
“Deus louva-o, porque ele não pediu nem riqueza, nem poder, nem honra, nem a morte dos seus inimigos, nem sequer uma longa vida (2Cr 1,11), mas sim o que é verdadeiramente essencial: um coração capaz de escutar, a capacidade de distinção entre o bem e o mal. E assim obtém também o restante O primeiro e essencial é um coração que escuta, para que seja Deus e não nós, a dominarmos. O Reino de Deus vem sobre o coração que escuta” (Bento XVI, Livro Jesus de Nazaré). Pedir o Reino significa colocar-se no seguimento da voz de Deus, numa permanente atitude de escuta, no silêncio do teu quarto, na meditação da Palavra, na mesa eucarística para poder ouvir a voz de Deus no barulho do corre-corre de cada dia.
Pedir o Reino de Deus significa colocar o pé no seguimento de Jesus, sermos totalmente Dele. É a hora dos que crêem levantarem a voz no silêncio da oração e suplicarem com a vida fazendo a vontade de Pai, para o que o pedido que venha o Reino de Deus não seja apenas um repetir de palavras. Assim estaremos oferecendo a este mundo agonizante, um respiro de ar puro brotado da fé no primado e soberania de Deus. “Onde Deus não é visto arruína-se o homem e o mundo”.
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