Blog D. Anuar Battisti

Arcebispo da Arquidiocese de Maringá

No próximo dia 04 celebramos o dia do padre, presbítero, homem de Deus e homem do povo. A reflexão de hoje é do presbítero Rildo da Luz Ferreira, que nesta semana completou dois anos de ministério, como vigário paroquial da Catedral Basílica Nossa Senhora da Glória. Para mim, ele é o primeiro presbítero que tive a graça de impor as mãos, conferindo o sacramento da Ordem.

“Todo padre foi um dia como Pedro, André, Tiago, João, Mateus…Estava no meu canto, no ‘mar’ da própria vida, ocupando-me das ‘redes e das barcas’, mas tinha sede de algo novo! E foi assim até que Jesus me chamou: ‘Segue-me! E eu farei de ti pescador de homens’ (Cf. Mc 1,17). O olhar de Deus me envolveu e minha vida deixou de ser a mesma. Eu era tão jovem, tinha o mundo à minha frente, acenando-me com mil propostas. Queria muito ser feliz! Pensei algumas vezes fugir e dizer não. Para mim, era mais seguro fazer o que já sabia e agarrar-me ao que já conhecia. Partir era um risco, um desafio. Mas o chamado tornou-se irresistível! E deixando a ‘barca e a rede’, a família, a cidade, os amigos…tornei-me discípulo de Jesus. Todo chamado exige resposta. Todo seguimento exige renúncias. Nada, porém, é demais quando é Deus quem chama e pede. E nenhum sacrifício consegue superar a felicidade de ser missionário, servidor, irmão de todos os irmãos…

 Acredito que ser padre é configurar-se mais e mais a Jesus, buscando participar com fidelidade do seu pastoreio e do seu sacerdócio. É estar no mundo como aquele que serve, disposto a trocar todos os reinos da terra por uma coroa de glória imperecível. Deus nos quer anunciando e denunciando, lançando alicerces e construindo. Deus nos pede coragem para enfrentar os lobos. Zelo constante pela comunidade. Cuidado atencioso com o rebanho, para que o povo não se curve diante dos ‘bezerros de ouro’ que o mundo de hoje oferece. Como João Batista, ser a voz que grita no deserto do coração humano, tão vazio de Deus.

Não sou santo nem anjo, pois tenho fragilidades e defeitos, mas Deus é infinitamente maior que eles. Penso com alegria e agradeço, feliz, o que há de bom em minha vida. Louvo o Altíssimo pelos irmãos e irmãs que já receberam de minhas mãos a eucaristia, pão da vida eterna. Pelos que se reconciliaram com Deus; por aqueles que se restabeleceram na fé; pela comunidade que me acolhe. E se algumas vezes sinto medo de fracassar, encontro forças no amor de Deus, que me escolheu, me elegeu e me quis.

Por isso, apresento ao Senhor, todos os dias esta oração: ‘Eis-me aqui, Senhor! Tomai as minhas mãos: levantai a quem caiu; indicai a direção; tocai, abençoai e curai por meio delas. Tomai os meus lábios: falai, exortai, consolai através de minha voz. Tomai para vós o meu coração: continuai amando por meio dele. Eis-me aqui, Senhor!’”

Obrigado, presbítero Rildo, você é um sinal concreto de tudo o que você escreveu. Que Jesus, o Bom Pastor, seja sempre o teu modelo e a tua motivação. Agradeço o seu ministério, a sua doação como também a de todos os presbíteros de nossa Arquidiocese.

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